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Ibama realiza leilão de gado apreendido em área desmatada ilegalmente na Amazônia

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Em uma estratégia inédita para fechar o ciclo de fiscalização contra os crimes ambientais na Amazônia, o Ibama realizou o seu primeiro leilão de gado apreendido em terra desmatada ilegalmente. A venda virtual, ocorrida no dia 12 de maio, resultou na comercialização de 213 bovinos e duas mulas, arrecadando R$ 607,1 mil. O valor obtido foi depositado em uma conta judicial e permanecerá bloqueado até uma decisão definitiva, uma vez que a apreensão do rebanho ainda é alvo de disputa na Justiça. Caberá ao Judiciário definir se os recursos serão usados para ressarcir despesas com a guarda dos animais ou se serão incorporados ao Orçamento Geral da União.

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Os animais eram criados em uma área de 185 hectares próxima à rodovia PA-370, no município de Uruará, no Pará. O local havia sido embargado pelo órgão ambiental em 2022 para permitir a regeneração natural da vegetação. Apesar da proibição, a atividade pecuária continuou na área, gerando multas superiores a R$ 1 milhão antes de culminar no confisco do rebanho. Com a nova modalidade de venda eletrônica, a autarquia busca transformar a destinação rápida dos animais em um instrumento permanente para sufocar o lucro da atividade ilegal e mitigar a sensação de impunidade, com novas etapas já em preparação.

Operação Carne Fria e o impacto do leilão de gado apreendido no mercado

A iniciativa integra a Operação Carne Fria 2025, estruturada para combater a criação de rebanhos em áreas embargadas e rastrear a ligação desses imóveis com a cadeia produtiva formal. O trabalho de inteligência baseia-se no cruzamento de dados das Guias de Trânsito Animal (GTAs) com as informações geográficas do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e as listas públicas de restrições ambientais. De acordo com o presidente do Ibama, Jair Schmitt, o aperfeiçoamento das estratégias de fiscalização e dos instrumentos sancionadores visa aumentar a efetividade no combate ao desmatamento, sendo a destinação adequada dos bens essencial para interromper a prática ilícita e desestimular novos crimes.

Na primeira fase da operação, realizada no ano passado, os fiscais retiveram 7.061 bovinos, cujos processos de destinação ainda estão em análise. Na segunda etapa, as investigações miraram os compradores. Seis frigoríficos exportadores foram autuados por adquirir animais de áreas embargadas, enquanto outros 12 estabelecimentos foram notificados e seguem sob investigação. O esquema investigado envolve a chamada triangulação de gado, manobra na qual os animais criados em pastos ilegais são transferidos para fazendas regularizadas antes da venda final aos frigoríficos, tentando ocultar a origem irregular da produção.

Tensões no campo e o monitoramento por satélite

A destinação dos animais, contudo, enfrenta forte resistência e desafios logísticos na região Norte. Atualmente, há 7.661 cabeças de gado confiscadas em São Félix do Xingu e outras 9.777 em Novo Progresso, ambos municípios paraenses. Uma parcela significativa desses rebanhos permanece sob a guarda provisória dos próprios infratores na condição de fiéis depositários. O balanço consolidado da Operação Carne Fria aponta que 12.626 hectares continuam sob embargo, enquanto 10.854,38 hectares tiveram suas restrições suspensas.

Os conflitos locais ganharam contornos dramáticos no início deste mês na Terra do Meio, unidade de conservação no sul de Altamira, também no Pará. Moradores e produtores rurais interceptaram caminhões do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que transportavam cerca de 90 cabeças de gado apreendidas pela Operação Pasto Nullus. Imagens nas redes sociais registraram o momento em que manifestantes cercaram os veículos e liberaram os animais. As investigações apontam que grandes produtores utilizam ocupantes locais como intermediários para manter os rebanhos ilegalmente na unidade de conservação, esquentando a produção.

Diante do avanço da fiscalização remota, a Câmara dos Deputados acelerou a tramitação de um projeto de lei que proíbe órgãos ambientais de paralisar atividades quando o desmatamento for detectado exclusivamente por tecnologias à distância. A proposta pode limitar diretamente o poder de atuação do Ibama, que tem dependido cada vez mais de imagens de satélite e cruzamentos automatizados de dados para autuar infrações e reprimir a expansão pecuária em florestas protegidas.

Leia mais:
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