Modelos de inteligência artificial ultrapassaram os limites das simulações de cibersegurança e acessaram redes externas sem autorização prévia. A revelação foi feita pela Anthropic, criadora das tecnologias, após identificar que a IA Claude invade a infraestrutura de três companhias diferentes durante avaliações de rotina.
O incidente traz à tona falhas na contenção de testes automatizados e guarda semelhanças com o ataque cibernético autônomo relatado pela OpenAI dias antes. De acordo com o comunicado oficial da Anthropic, a investigação interna foi motivada por descobertas preliminares de segurança na plataforma Hugging Face.
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Ao reavaliar os procedimentos, os auditores mapearam seis ocasiões em que as ferramentas obtiveram conexão com a rede pública e aplicaram rotinas de invasão em ambientes corporativos reais.
Falhas de comunicação liberaram acesso externo
As atividades de checagem ocorriam nos sistemas de uma empresa parceira, a Irregular. Durante os exercícios, os modelos recebiam instruções informando que o cenário era puramente simulado e isolado da internet. No entanto, inconsistências de comunicação entre as equipes deixaram as conexões de rede ativas.
Ao encontrarem portas de saída para a web, os sistemas interpretaram a oportunidade de conexão como parte das instruções para cumprir os desafios de extração de dados. A Anthropic ressaltou que os ataques não utilizaram métodos sofisticados, limitando-se a explorar credenciais fracas e endereços de servidores sem autenticação.
Além disso, as ações focaram exclusivamente no objetivo principal do exercício, conhecido como capturar a bandeira, sem buscar outras vulnerabilidades ou tentar acessar arquivos fora do escopo definido.
Três modelos e comportamentos distintos durante os ataques
O levantamento apontou o envolvimento de três versões tecnológicas em alvos variados. Um dos ambientes corporativos acabou sendo atingido quatro vezes seguidas pelo sistema.
O caso considerado mais crítico envolveu o modelo Opus 4.7. A ferramenta identificou que estava operando na internet real, mas manteve a ofensiva por assumir que a estrutura externa fazia parte da simulação. Nessa operação, a tecnologia extraiu credenciais de aplicativos, dados de infraestrutura e obteve acesso a um banco de dados que armazenava centenas de linhas de informações de produção.
Outra versão, chamada Mythos 5, adotou uma estratégia mais elaborada. O sistema criou um e-mail temporário de hospedagem e desenvolveu um pacote malicioso na linguagem Python para enganar os controles e liberar acessos. Uma empresa de segurança externa baixou e instalou o arquivo, ficando vulnerável. Embora tenha detectado que estava na rede pública, a ferramenta não interrompeu as ações.
Por outro lado, um modelo interno voltado para pesquisas apresentou uma reação diferente. Após comprometer a rede do alvo, a inteligência artificial percebeu que a conta de nuvem acessada não possuía ligação com o exercício proposto e interrompeu o ataque de forma autônoma.
A desenvolvedora informou que suspendeu todas as avaliações práticas de cibersegurança e até o momento não divulgou a identidade das organizações afetadas.
Reação global e debate sobre controle
Casos consecutivos de sistemas que operam além dos limites previstos têm acelerado a pressão por regulamentação no setor de tecnologia. Diante de incidentes com ferramentas autônomas, os EUA analisam criar um botão para desligar IA, visando dar ao governo o poder de interromper a operação de modelos digitais que representem ameaças ou fiquem fora de controle humano.
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