InícioPoderPolíticaDino suspende lei estadual que proibia linguagem neutra no Amazonas

Dino suspende lei estadual que proibia linguagem neutra no Amazonas

Publicado em

Publicidade

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quarta-feira (29) suspender a Lei Estadual nº 6.463/23 do Amazonas, que proibia a utilização de linguagem neutra nas escolas públicas e privadas, além de repartições públicas. O projeto era de autoria da deputada Débora Menezes (PL-AM).

A decisão atende ao pedido feito pela Aliança Nacional LGBTI+ e pela Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas (Abrafh), que alegaram a inconstitucionalidade da lei por invadir a competência do Congresso Nacional de legislar sobre diretrizes e bases da educação.

A Procuradoria-Geral de Justiça do Estado do Amazonas também havia solicitado a anulação da norma. A lei foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) em agosto de 2023, com 14 votos favoráveis e quatro contra.

Decisão de Flávio Dino

Na análise do caso, o ministro Flávio Dino concordou com os argumentos dos autores da ação, afirmando que os estados não têm competência para legislar sobre a matéria:

“Na ausência de legislação nacional acerca da linguagem neutra, estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade formal qualquer legislação estadual, distrital ou municipal que autorize ou vede sua utilização, como é o caso da legislação analisada nestes autos”, declarou.

O ministro ressaltou ainda que a língua portuguesa é dinâmica e está sujeita a mudanças sociais. “Não há dúvida de que a língua é viva, sempre aberta a novas possibilidades, em diversos espaços e tempos, por isso não se descarta, evidentemente, a possibilidade de utilização da linguagem neutra”, completou o ministro.

Decisões semelhantes

Em decisão semelhante, na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu uma lei de Ibirité (MG) que proibia o ensino de linguagem neutra nas escolas públicas e privadas do município.

Moraes também entendeu que os municípios não podem legislar sobre normas educacionais, conteúdos curriculares e metodologias de ensino, competência exclusiva do Congresso Nacional.

Reação da autora da lei

A deputada Débora Menezes, autora do PL que gerou a lei n° 6.463/23, reagiu com indignação à suspensão de seu projeto. De acordo com a parlamentar, o STF “adotou viés ideológico” ao interferir em uma lei estadual:

“A lei de minha autoria que proibia o uso de linguagem neutra nas escolas já era realidade no Amazonas. Agora, o ministro desse desgoverno, a pedido de uma minoria, suspendeu a lei. Eles se intitulam democráticos, mas não aceitam a democracia. Impõem o que uma minoria acha correto!”, escreveu a deputada em suas redes sociais.

Siga nosso perfil no Instagram e curta nossa página no Facebook
spot_img

Últimas Notícias

Conferência Anprotec reúne em Manaus especialistas para impulsionar inovação e novos negócios

A Conferência Anprotec coloca Manaus no centro das discussões sobre empreendedorismo inovador nesta semana...

Noruega vence a Costa do Marfim e será adversária do Brasil nas oitavas da Copa

Seleção brasileira enfrenta equipe europeia na próxima fase do Mundial após definição do chaveamento A...

Contaminação de rios em terra Waimiri Atroari leva MPF a reunir indígenas e mineradora em Manaus

Contaminação de rios na Terra Indígena Waimiri Atroari voltou ao centro das discussões entre...

Lula diz que disputará a reeleição para “garantir” a democracia e afirma que “ninguém é dono da América do Sul” no Mercosul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante a cúpula de líderes do...

Mais como este

PEC dos agentes de saúde avança no Senado e pode gerar impacto bilionário nas contas públicas

A criação de uma PEC dos agentes de saúde com regras especiais de aposentadoria...

Lula entrega a Motta projeto que eleva limite de faturamento do MEI

Texto do governo prevê aumento gradual do teto de receita anual e amplia para...

Valdemar diz que crise entre Michelle e Flávio pode custar a eleição

Presidente do PL defende reconciliação entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro e afirma que...