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Rio Solimões tem 65% de chance de ficar abaixo da mínima histórica

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A bacia do Amazonas, a maior bacia hidrográfica do mundo, enfrenta um cenário preocupante em 2024, com previsões de seca ainda mais severas do que as registradas em 2010 e 2023, quando os níveis dos rios atingiram mínimas históricas, isolando comunidades indígenas e ribeirinhas.

Alertas de Vazante e Riscos para o Rio Solimões

De acordo com alertas de vazante do Serviço Geológico do Brasil (SGB), divulgados nesta sexta-feira (23), o rio Solimões, que corta 13 municípios do Amazonas, tem alta probabilidade de alcançar níveis recordes de seca, especialmente em Tabatinga (AM), onde há 65% de chance de o nível do rio ficar abaixo do recorde anterior de -86 cm, registrado em 2010. Em Fonte Boa (AM) e Itapéua (AM), as chances de superarem suas mínimas históricas de 2010 também são elevadas, com 53% e 32%, respectivamente.

Probabilidades de Secas Severas em Outros Rios

O rio Purus, próximo a Beruri (AM), tem 34% de probabilidade de secar além da mínima de 4,07 m registrada em 2023. O rio Negro, em Manaus, também apresenta risco, com 16% de chance de queda abaixo do nível histórico de 12,70 m, enquanto o rio Amazonas, em Itacoatiara (AM), tem 14% de probabilidade de superar sua baixa recorde de 36 cm, também registrada em 2023.

Impactos da Seca e Medidas de Enfrentamento

A pesquisadora Jussara Cury, do SGB, alerta que o rio Solimões está em um processo de intensificação da seca, com níveis muito baixos para esta época do ano, especialmente em Tabatinga. O gerente de hidrologia e gestão territorial da Superintendência Regional de Manaus, André Martinelli, ressalta a importância de informações precisas para planejar e executar ações contra eventos extremos, como a seca dos rios, que no ano passado provocou deslizamentos de terra e a morte de centenas de botos em Tefé devido ao baixo nível e alta temperatura da água.

Resposta do Governo e Ações de Emergência

Diante da situação, municípios na calha do Juruá, como Guajará, Envira e Ipixuna, já estão recebendo medicamentos e insumos de saúde, pois o transporte fluvial começa a ser afetado. A Defesa Civil do Amazonas orienta que as populações afetadas busquem abrigo nas sedes dos municípios para evitar o isolamento e garantir o recebimento de suprimentos.

O governo do Amazonas, por meio do Comitê de Enfrentamento à Estiagem, decretou situação de emergência ambiental em 22 cidades do sul do estado e da região metropolitana de Manaus, e aumentou em 55% as diárias dos servidores que estão em campo, além de reforçar o efetivo para combater a seca e os incêndios.

*Com informações da Folha de São Paulo.

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