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Leilão do pré-sal arrecada R$ 8,8 bilhões, abaixo do esperado pelo governo

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O leilão pré-sal promovido pela União arrecadou 8,79 bilhões de reais em 2025, valor considerado abaixo da estimativa inicial do governo, que previa 10,2 bilhões de reais de arrecadação. A diferença é atribuída principalmente à ausência de lances para a participação da União no campo de Tupi. Já as áreas de Mero e Atapu foram arrematadas por Petrobras e Shell, com ofertas acima dos valores mínimos exigidos.

Arrecadação final em duas áreas do pré-sal

No leilão inédito de participações da União em campos do pré-sal já em produção, o consórcio formado pela Petrobras e pela Shell garantiu duas das três áreas oferecidas sem concorrência direta. No campo de Mero, as empresas adquiriram uma participação de 3,5 por cento da União por 7,79 bilhões de reais, superior ao valor mínimo de 7,65 bilhões de reais. Já no campo de Atapu, uma fatia de 0,95 por cento foi comprada por aproximadamente 1 bilhão de reais, também acima do mínimo exigido de 863,32 milhões de reais.

Com isso, o total arrecadado ficou em 8,79 bilhões de reais, abaixo da última previsão divulgada pelo governo federal em novembro.

Tupi fica sem lances e derruba expectativa de receita

A participação da União no campo de Tupi, correspondente a 0,833 por cento da jazida compartilhada, não recebeu nenhuma oferta. O ativo era ofertado com valor mínimo estimado em 1,69 bilhão de reais.

Segundo a PPSA, estatal responsável pelos contratos de partilha do pré-sal, dez empresas acessaram dados técnicos da área e sete chegaram a se credenciar para o leilão. A falta de propostas foi avaliada como efeito da queda no preço internacional do petróleo Brent, que reduziu o apetite das companhias por novos investimentos.

Impacto fiscal pode ser compensado

Apesar da frustração de 1,4 bilhão de reais em relação à expectativa do governo, a avaliação dentro do Ministério da Fazenda é de que não há motivo para preocupação. O governo costuma encerrar o ano com o chamado empoçamento de recursos, quando despesas autorizadas não são executadas por entraves burocráticos. Esse cenário auxilia no cumprimento das metas fiscais. A projeção mais recente é de um empoçamento próximo de 10 bilhões de reais em 2025.

Além disso, os valores arrecadados podem ser reforçados futuramente por pagamentos adicionais previstos nos contratos. Petrobras e Shell poderão desembolsar quantias extras caso determinadas condições se confirmem, como a média anual do preço do Brent acima de 55 dólares por barril ou futuras revisões das participações nas jazidas.

Petrobras aumenta presença em Mero e Atapu

Com a operação, a Petrobras ampliará sua participação nos dois campos. Em Mero, a fatia da estatal passa de 38,60 por cento para 41,40 por cento. Já em Atapu, o percentual sobe de 65,687 por cento para 66,38 por cento. A companhia informou que desembolsará 6,97 bilhões de reais ainda este mês para consolidar as aquisições.

Mesmo com a venda das participações da União em Mero e Atapu, o governo continuará recebendo o óleo lucro referente à sua parcela na produção, conforme estabelecido nos contratos de partilha. Essa receita continuará sendo comercializada em leilões futuros.

Avaliação do governo e perspectivas para o pré-sal

Para o presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, o resultado foi vantajoso para as empresas e não representa perdas para a União. Segundo ele, o governo seguirá recebendo e comercializando o petróleo relativo às participações que mantém em diferentes campos do pré-sal.

Paroli também afirmou que a visão das empresas sobre Tupi pode ter sido mais conservadora do que a expectativa do governo. A flutuação do preço do petróleo e os riscos envolvidos no setor são fatores que influenciam diretamente as decisões de investimento.

Apesar da arrecadação menor do que a esperada, o governo avalia que a receita adicional futura e o empoçamento devem garantir equilíbrio às contas, mantendo o pré-sal como um ativo estratégico para a economia brasileira.

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