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Relembre a cronologia dos fatos e a tensão que antecederam os atos do 8 de janeiro

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As imagens da depredação das sedes dos Três Poderes da República, ocorridas no fatídico 8 de janeiro de 2023, completam três anos nesta quinta-feira. As cenas, que correram o mundo, entraram para a história como uma das páginas mais complexas da trajetória democrática brasileira. Naquela tarde de domingo em Brasília, milhares de inconformados com o resultado das urnas marcharam pela Esplanada dos Ministérios, rompendo bloqueios policiais para invadir o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF).

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O objetivo explícito da multidão era criar um cenário de caos que justificasse um golpe de Estado para depor o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, empossado apenas uma semana antes. No entanto, o 8 de janeiro não foi um evento isolado ou espontâneo. Ele foi o marco culminante de uma trama golpista articulada, composta por atos e movimentações que começaram muito antes da invasão aos prédios públicos.

Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que fundamentou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de aliados no STF, o plano de ruptura institucional começou a ser desenhado ainda em 2021. Contudo, foi após a derrota eleitoral no pleito de 30 de outubro de 2022 que uma sequência de eventos violentos, bloqueios e acampamentos preparou o terreno para o que viria a ser o 8 de janeiro. Abaixo, reconstituímos a cronologia desses fatos.

O início da tensão e os bloqueios que antecederam o 8 de janeiro

Logo após o resultado de uma das eleições mais acirradas da história, onde Lula venceu com 50,9% dos votos válidos, o silêncio inicial de Jair Bolsonaro e a não aceitação do resultado por parte de seus apoiadores desencadearam a primeira fase da escalada golpista. Na noite da apuração, grupos de caminhoneiros iniciaram bloqueios em rodovias por todo o país.

Caminhoneiros bloqueiam rodovia no Paraná em protesto contra a derrota de Bolsonaro no segundo turno das eleições

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) mapeou, na época, mais de mil interdições totais ou parciais em estradas federais. O auge desses bloqueios ocorreu nos primeiros dias de novembro, causando desabastecimento pontual e cancelamento de voos. A pressão foi tanta que Bolsonaro realizou sua primeira manifestação pública pedindo a desobstrução das vias, embora sem parabenizar o vencedor. Esses bloqueios perderam força gradualmente, mas a energia mobilizada foi redirecionada para uma nova estratégia logística que seria fundamental para o 8 de janeiro: os acampamentos.

Acampamentos nos quartéis: a base logística do 8 de janeiro

Com o fim dos bloqueios nas estradas, a militância radical migrou para as portas dos quartéis das Forças Armadas. Foram registrados mais de 100 acampamentos em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. O mais relevante deles foi montado em frente ao Quartel-General (QG) do Exército, em Brasília. Foi deste local que partiram as colunas de manifestantes que executaram os atos do 8 de janeiro.

Vista do acampamento de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em frente ao Quartel General do Exército em Brasília. Foto: Reprodução

Diferente da postura em relação às rodovias, os acampamentos contaram com uma espécie de aval silencioso e, segundo denúncias da PGR, até mesmo incentivo direto da gestão anterior. As investigações apontaram que comandantes das três forças chegaram a emitir notas autorizando a permanência dos manifestantes. Esses locais funcionaram como centros de conspiração, com complexas estruturas de alimentação e alojamento, servindo de “incubadora” para a violência política que explodiria semanas depois.

Terrorismo e violência: o prenúncio do 8 de janeiro

O mês de dezembro de 2022 foi marcado por uma escalada perigosa. No dia 12, data da diplomação de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Brasília vivenciou uma noite de terror. Vândalos tentaram invadir a sede da Polícia Federal e incendiaram ônibus e carros no centro da capital, antecipando o modus operandi destrutivo do 8 de janeiro.

Manifestantes apoiadores de Bolsonaro colocam fogo em carros e ônibus na capital federal na noite de 12 de dezembro de 2022. Foto: Kevin Eduardo/Divulgação

A tensão atingiu seu ponto crítico na véspera de Natal. Em 24 de dezembro, uma tentativa de atentado a bomba foi frustrada nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília. O artefato, colocado em um caminhão-tanque, falhou. As investigações revelaram que os autores do plano, George Washington de Oliveira Sousa, Alan Diego dos Santos Rodrigues e Wellington Macedo de Souza, frequentavam o acampamento do QG do Exército e buscavam decretar o caos para forçar uma intervenção militar.

Embora a posse presidencial em 1º de janeiro tenha ocorrido sob forte esquema de segurança e relativa tranquilidade, a “calmaria” durou pouco. Exatamente uma semana depois, as falhas na segurança e a mobilização contínua nos acampamentos resultaram na invasão das sedes dos poderes. Três anos depois, relembrar a cronologia do 8 de janeiro é fundamental para compreender a dimensão dos desafios enfrentados pelas instituições democráticas brasileiras.

Com informações de Agência Brasil

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