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Brasil entra na corrida quântica; entenda o que muda para o país

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A corrida quântica ganhou um novo capítulo no Brasil com o lançamento do Projeto Residência em Tecnologias Quânticas, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação voltada à formação de especialistas e ao fortalecimento de empresas brasileiras de base científica e tecnológica.

Anunciado em 19 de junho pelo MCTI, o programa prevê investimento de R$ 20 milhões ao longo de 36 meses. A expectativa é oferecer 156 bolsas e capacitar cerca de 500 estudantes, pesquisadores e profissionais em uma área considerada estratégica para o futuro da inovação.

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Corrida quântica terá polos em seis cidades

As atividades serão realizadas em João Pessoa, Campina Grande, Fortaleza, Salvador, Goiânia e Campinas. A distribuição dos polos indica uma tentativa de descentralizar a formação em tecnologias quânticas, aproximando o tema de diferentes regiões do país.

A residência terá foco em áreas como computação quântica, microeletrônica, semicondutores e aplicações avançadas para setores estratégicos. O projeto integra a Iniciativa Brasileira para Tecnologias Quânticas, a IBQuântica, e está conectado ao Centro Internacional de Computação Quântica da Paraíba, o CIQUANTA-PB.

Formação é o principal desafio

Para Guilherme Temporão, professor do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio e pesquisador principal do projeto Rede Rio Quântica, o avanço do país depende da formação de profissionais capazes de atuar em uma área altamente multidisciplinar.

“Tecnologias quânticas não são apenas ‘computação quântica’ no sentido de programação de algoritmos. Elas envolvem física, engenharia elétrica, óptica, microeletrônica, ciência da computação, matemática, telecomunicações, instrumentação e metrologia, pra citar algumas dimensões do assunto apenas”, afirma.

A computação quântica tem potencial para acelerar a solução de problemas complexos ao explorar múltiplas possibilidades ao mesmo tempo. Essa capacidade já é estudada em áreas como desenvolvimento de medicamentos, novos materiais, logística, finanças, inteligência artificial e cibersegurança.

Apesar do entusiasmo, a tecnologia ainda passa por uma fase de maturação. O MIT Quantum Index Report 2025 aponta que mais de 40 unidades de processamento quântico já estão disponíveis comercialmente, mas esses sistemas ainda estão distantes das exigências necessárias para aplicações comerciais em larga escala.

Brasil busca reduzir distância tecnológica

Governos e investidores tratam as tecnologias quânticas como uma aposta de longo prazo, especialmente pelo impacto potencial em saúde, energia, finanças, segurança cibernética e desenvolvimento de materiais.

No Brasil, o movimento também aparece no financiamento público à inovação. Em março de 2026, a Finep publicou um edital de R$ 300 milhões para seis áreas de tecnologias digitais, incluindo uma linha voltada a tecnologias quânticas, como computação, comunicação, sensores, metrologia e materiais.

Para Temporão, o país dificilmente competirá em escala com Estados Unidos, Europa ou China, mas pode construir nichos de competência. “Infraestrutura sem pessoas preparadas não produz autonomia tecnológica. Computadores, laboratórios e equipamentos sofisticados só se transformam em capacidade nacional quando existe gente capaz de operar, adaptar, desenvolver e, eventualmente, criar tecnologia própria”, diz.

O professor também alerta que a continuidade será decisiva. “Não bastam cursos isolados. É preciso criar trajetórias de formação, com laboratórios, bolsas, orientação qualificada e projetos conectados a empresas. Sem isso, corremos o risco de formar pessoas que acabam migrando para outros países ou para áreas mais estabelecidas do mercado.”

A entrada do Brasil na corrida quântica, portanto, não depende apenas de acesso a equipamentos ou laboratórios. O principal teste será formar, reter e conectar talentos capazes de transformar pesquisa científica em tecnologia desenvolvida no país.

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