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Novas tecnologias e armas na guerra entre Rússia e Ucrânia que completa 4 anos

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O conflito entre Rússia e Ucrânia se aproxima de um marco temporal significativo no dia 24 de fevereiro, quando a invasão russa completará quatro anos de duração. Mesmo com o passar do tempo, os combates permanecem intensos e sem uma previsão clara de encerramento. Recentemente, em 5 de fevereiro, uma rodada de negociações de paz mediada pelos Estados Unidos em Abu Dhabi terminou sem avanços concretos, mantendo o foco das atenções voltado para o campo de batalha. Diante do impasse diplomático, o surgimento e o emprego de armas na guerra de última geração tornaram-se os principais fatores capazes de alterar o equilíbrio de forças entre as nações.

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A evolução do arsenal disponível para ambos os lados reflete uma corrida tecnológica sem precedentes. Enquanto a Ucrânia busca autossuficiência por meio de sua indústria doméstica para superar as restrições impostas por aliados ocidentais, a Rússia aposta na modernização de seus sistemas balísticos e na produção massiva de dispositivos não tripulados. Este cenário transforma o território ucraniano em um laboratório de testes para equipamentos experimentais que podem definir os rumos dos próximos meses de combate.

O embate dos mísseis balísticos e de cruzeiro

No centro da estratégia de ataques profundos, dois novos protagonistas ganharam destaque no último ano. A Ucrânia apresentou o Flamingo, um míssil de cruzeiro desenvolvido pela companhia Fire Point. Esta arma representa um salto para Kiev, pois possui um alcance de 3 mil quilômetros e capacidade para carregar uma ogiva de 1.150 kg. Por ser de fabricação nacional, o Flamingo permite que o exército ucraniano atinja alvos estratégicos dentro do território russo sem as limitações políticas que acompanham os mísseis ATACMS americanos ou os Storm Shadow franco-britânicos.

Do lado russo, o destaque é o Oreshnik, um míssil balístico com alcance de até 5,5 mil quilômetros. Sua principal vantagem competitiva é a velocidade hipersônica, que pode chegar a 3 km por segundo, dificultando drasticamente qualquer tentativa de interceptação pelos sistemas de defesa aérea. O Oreshnik já foi utilizado em ataques contra as cidades de Dnipro e Lviv, demonstrando uma ogiva que se fragmenta em múltiplos projéteis independentes, causando destruição em série em um curto intervalo de tempo.

A disputa pela superioridade aérea com jatos F-16 e Sukhoi

A dinâmica aérea também passou por transformações com a chegada dos caças F-16 à força aérea ucraniana. Embora o modelo tenha sido concebido na década de 1970, ele é visto pelos pilotos ucranianos como um salto tecnológico imenso em relação aos antigos MiG-29 soviéticos. Dos 90 aviões prometidos por países da Otan, como Dinamarca e Holanda, cerca de metade já foi entregue. Estes jatos têm sido fundamentais na defesa contra mísseis de cruzeiro russos e na execução de ataques de precisão em solo, sendo descritos pelos operadores como “smartphones” comparados aos modelos antigos.

A Rússia, por sua vez, mantém uma das frotas mais poderosas do mundo, sustentada pela família Sukhoi, que inclui os modelos Su-30, Su-34 e Su-35. Equipadas com radares modernos e mísseis ar-ar de longo alcance, como o R-37, essas aeronaves operam geralmente de forma cautelosa para evitar os sistemas Patriot fornecidos pelo Ocidente. O resultado é um cenário onde combates aéreos diretos são raros; em vez disso, ambos os lados utilizam seus aviões como plataformas para lançar bombas planadoras e mísseis de longa distância, mantendo-se fora do alcance das defesas inimigas.

O papel estratégico dos sistemas não tripulados e drones

A utilização de dispositivos não tripulados tornou-se onipresente, mas o nível de sofisticação destas armas na guerra atingiu novos patamares. A Ucrânia consolidou-se como líder no desenvolvimento desses sistemas, produzindo cerca de quatro milhões de unidades anualmente. O sucesso da Operação Teia de Aranha, que utilizou mais de 110 drones de visão em primeira pessoa (FPV) para atacar bombardeiros russos, ilustra a eficácia dessa estratégia de baixo custo e alto impacto. Além dos modelos aéreos, os drones navais ucranianos foram responsáveis pelo afundamento de diversas embarcações da frota russa.

O governo russo respondeu a essa vantagem ucraniana priorizando a produção em massa. Com a criação das Forças de Sistemas Não Tripulados e a modernização do drone Molniya-2, o Kremlin busca atingir a produção de dezenas de milhares de unidades por ano. Atualmente, a Rússia fabrica cerca de 3 mil drones Geran 2 (versão local do Shahed iraniano) por mês, utilizando-os em ataques diários contra a infraestrutura civil e militar ucraniana.

Um fator crítico nessa frente é a conectividade. A dependência de links de satélite, como o Starlink, gerou debates geopolíticos e técnicos. Enquanto a Ucrânia se beneficia dessa tecnologia, a Rússia enfrenta limitações com seu próprio sistema de satélites (Gazprom), recorrendo por vezes a soluções menos eficazes, como conexões por rádio ou fibra óptica, que restringem o alcance de operação.

Inteligência Artificial e o futuro do combate avançado

A próxima fronteira tecnológica da guerra reside na Inteligência Artificial (IA). Especialistas e autoridades de defesa de ambos os lados concordam que a IA é o novo campo de batalha na corrida armamentista. O objetivo é criar drones com ataques totalmente autônomos, capazes de operar sem a necessidade de um operador humano constante ou de um link de comunicação que possa ser bloqueado por guerra eletrônica.

Embora o ministro da Defesa da Ucrânia afirme que esse desenvolvimento já está em curso, ainda não há registros de armas baseadas puramente em IA operando com total eficácia. No entanto, a integração dessa tecnologia promete aumentar exponencialmente a precisão de pequenos dispositivos e a letalidade de enxames de drones. O Kremlin também investe em pesquisas similares, indicando que o quinto ano de conflito poderá ser marcado por máquinas capazes de tomar decisões em frações de segundo no campo de batalha.

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