O governo brasileiro formalizou recentemente uma cooperação internacional de peso para intensificar o combate ao crime organizado na América do Sul. A iniciativa estabelece uma conexão direta entre o Brasil e a Interpol, criando uma estrutura robusta para enfrentar o tráfico transnacional de drogas e desarticular redes criminosas que operam nas fronteiras sul-americanas. O projeto terá como um de seus pilares o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), localizado em Manaus, que atuará como um polo estratégico para a segurança da região.
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A formalização do acordo ocorreu no Palácio da Justiça, por meio da assinatura de uma Declaração de Intenções. O programa será liderado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e contará com o suporte operacional da Polícia Federal. O financiamento será provido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), utilizando recursos do Fundo Nacional Antidrogas (Funad).
Estrutura operacional e o papel do CCPI Amazônia
Embora a base principal das equipes de especialistas fique sediada no Escritório Regional da Organização Internacional de Polícia Criminal em Buenos Aires, na Argentina, o centro em Manaus terá uma função complementar e vital. O foco da unidade amazonense será o monitoramento dos fluxos ilícitos em áreas de selva e fronteira, onde a complexidade geográfica muitas vezes facilita a movimentação de grupos criminosos.
O modelo de trabalho será inspirado nas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO), que já apresentam resultados positivos em território brasileiro sob a coordenação da Polícia Federal. Agora, essa metodologia de integração será expandida para o âmbito regional, permitindo que agentes de diversos países vizinhos trabalhem de forma conjunta e coordenada.
Cooperação com a Interpol e inteligência de dados
A força-tarefa será composta por profissionais selecionados dos quadros da Polícia Federal e de outras instituições policiais parceiras da América do Sul. Esses agentes serão recrutados pela própria organização internacional e terão acesso direto a sistemas globais e bases de dados estratégicas. O intercâmbio permanente de informações busca viabilizar operações em tempo real, aumentando a eficiência no mapeamento de rotas e na identificação de lideranças criminosas.
Valdecy Urquiza, diretor-geral da instituição internacional, reforçou que todas as ferramentas e capacidades tecnológicas da entidade estarão à disposição desta nova força integrada. O objetivo é criar uma barreira intransponível para o tráfico que utiliza a bacia amazônica como corredor para mercados externos.
Foco na descapitalização do crime organizado
Além do policiamento ostensivo e da investigação de campo, a parceria prevê um esforço concentrado no rastreamento de ativos financeiros. A estratégia é atingir o coração financeiro das organizações, promovendo a recuperação de bens e valores de origem ilícita. Segundo as autoridades presentes na cerimônia, descapitalizar esses grupos é fundamental para reduzir seu poder de influência e permitir que tais recursos sejam reinvestidos em políticas públicas de segurança e desenvolvimento social.
A secretária da Senad, Marta Machado, e o diretor-executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad, destacaram que a iniciativa representa um avanço histórico na integração sul-americana. Com a liderança brasileira no projeto, espera-se que o compartilhamento de inteligência resulte em uma redução drástica da violência relacionada ao narcotráfico nas cidades da região norte e em todo o continente.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, reiterou que este mecanismo de cooperação trará resultados práticos e duradouros, aproveitando a expertise da Polícia Federal na gestão de bases de investigação integradas para garantir maior proteção às fronteiras brasileiras.
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