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Medo da violência altera rotina noturna de 40% das mulheres brasileiras

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A insegurança pública no Brasil tem gerado impactos profundos e desproporcionais no cotidiano da população feminina. Segundo o novo relatório intitulado Medo do crime e eleições 2026 os gatilhos da insegurança, divulgado no último domingo, a percepção de risco alterou drasticamente o comportamento das cidadãs. O documento revela que 4 em cada 10 mulheres deixaram de sair à noite por receio de sofrerem algum tipo de violência, evidenciando como a sensação de vulnerabilidade limita o direito de ir e vir nos centros urbanos e rurais do país.

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O levantamento, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto Datafolha, aponta que 40,9% das entrevistadas mudaram seus hábitos de circulação após o pôr do sol no último ano. Em contraste, o índice entre os homens é significativamente menor, com 29,8% afirmando terem modificado sua rotina noturna pelo mesmo motivo. Essa diferença de mais de dez pontos percentuais reforça que a gestão do risco no espaço público é uma preocupação muito mais latente para o público feminino.

Insegurança urbana e a mudança de comportamento feminino

Além da restrição de horários, a estratégia de autoproteção das brasileiras se estende ao uso de objetos pessoais. A pesquisa mostra que 37,8% das mulheres deixaram de circular com o celular nas ruas para evitar prejuízos em possíveis assaltos. Entre os homens, essa prática é adotada por 28,9% dos entrevistados. Especialistas que analisaram o relatório destacam que o diferencial feminino está diretamente ligado aos comportamentos de exposição corporal e circulação, áreas onde o medo da violência se manifesta com maior intensidade devido à vulnerabilidade física.

O estudo indica que o receio não é apenas uma sensação abstrata, mas um fator condicionante de escolhas diárias. A circulação em espaços públicos torna-se um exercício constante de monitoramento de riscos, onde a possibilidade de agressões físicas e abordagens criminosas dita os caminhos e meios de transporte escolhidos.

Principais temores da população feminina diante da criminalidade

Os dados coletados mostram que a preocupação com a integridade física e o patrimônio atinge patamares alarmantes entre as mulheres. Quase todos os cenários de risco apresentados pela pesquisa superaram os 80% de menções negativas no público feminino. Um dos pontos de maior atenção é o medo da violência sexual, citado por 82,6% das ouvidas como uma das principais razões para a mudança de planos e trajetos.

Abaixo, apresentamos os índices detalhados das situações que mais geram insegurança nas entrevistadas:

  • Ser roubado ou assaltado à mão armada: 86,6%

  • Ser vítima de golpe e perder dinheiro pela internet ou celular: 86,6%

  • Ser morto durante um assalto: 86,2%

  • Ter o celular furtado ou roubado: 83,6%

  • Ser roubado ou assaltado na rua: 83,2%

  • Ter sua residência invadida ou arrombada: 82,6%

  • Ser vítima de agressão sexual: 82,6%

  • Ser vítima de bala perdida: 82,3%

  • Ser assassinado: 79,6%

  • Ter sua aliança ou outra joia arrancada em um assalto: 69,9%

  • Ser agredido fisicamente por sua escolha política ou partidária: 65,5%

  • Ser vítima de agressão física pelo seu marido ou esposa: 48,6%

Metodologia do levantamento sobre medo da violência

A pesquisa encomendada ao Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, abrangendo 137 municípios em diversas regiões do Brasil. O objetivo central do relatório é compreender como o temor constante de crimes influencia as decisões eleitorais e a vida social da população. Os resultados sublinham a urgência de políticas públicas que considerem o recorte de gênero na segurança, uma vez que a restrição de circulação afeta diretamente a autonomia e a participação econômica das mulheres na sociedade brasileira.

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