Projeto estratégico busca reduzir custos logísticos no Arco Norte e modernizar o transporte de cargas e passageiros na Região Norte
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou que a concessão da hidrovia do Madeira deve ir a leilão no primeiro semestre de 2027. O projeto foi classificado pelo governo federal como uma iniciativa altamente estratégica para expandir a infraestrutura logística do Arco Norte e fortalecer o transporte hidroviário na Amazônia. O anúncio ocorreu durante a apresentação do balanço dos dois primeiros anos de atuação da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação (SNHN).
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A rota, que interliga as cidades de Porto Velho, em Rondônia, e Itacoatiara, no Amazonas, configura-se como um dos corredores logísticos mais relevantes do país. Ela é amplamente utilizada para o escoamento da produção de grãos e de outras mercadorias com destino aos portos da região amazônica. Com a concessão à iniciativa privada, a proposta governamental prevê investimentos voltados para a dragagem do leito do rio, a implantação de sinalização náutica adequada, a garantia contínua de navegabilidade e a modernização geral da infraestrutura ao longo de todo o trajeto.
Foco no transporte de passageiros e eficiência na Amazônia
Além do foco comercial, a reestruturação da hidrovia do Madeira também visa trazer impactos sociais diretos. O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, ressaltou que uma parcela significativa das diretrizes da secretaria foca na melhoria do transporte hidroviário de passageiros, atendendo as populações locais que dependem quase que exclusivamente dos rios para a mobilidade diária.
A estratégia nacional para o setor de navegação interior busca ampliar de forma sustentável a participação dos rios na matriz logística do Brasil. De acordo com o ministério, o aumento da eficiência desse modal é fundamental para reduzir os custos logísticos de transporte, elevando a competitividade das cadeias produtivas brasileiras no mercado externo. Na Amazônia, o governo projeta que corredores fluviais ganhem ainda mais protagonismo nos próximos anos devido ao forte crescimento na movimentação de cargas pelo Arco Norte.
Investimentos e modernização da infraestrutura regional
O balanço divulgado pela SNHN detalha que a agenda de concessões é acompanhada por outros grandes investimentos estruturais pelo país. Entre os destaques na Região Norte, está o projeto de ampliação e modernização do Terminal Hidroviário de Manaus (Manaus Moderna), no Amazonas, com aportes previstos na ordem de R$ 876 milhões para aprimorar o embarque e desembarque da navegação interior.
Em outras partes do território nacional, o governo também acompanha obras consideradas prioritárias para eliminar gargalos históricos de navegação, tais como o derrocamento do Pedral do Lourenço, no Rio Tocantins (PA), e as intervenções em Nova Avanhandava, no Rio Tietê (SP).
Segundo o MPor, o planejamento da secretaria inclui ações contínuas de desburocratização para atrair investimentos privados, assinatura de contratos para manutenção de canais de navegação, atualização de sistemas de sinalização e diretrizes rígidas voltadas à sustentabilidade e à integração logística entre os modais hidroviário, portuário e rodoviário.
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