Bombardeio em Bandar Abbas e derrubada de drone norte-americano elevam o tom em meio a impasses em negociações diplomáticas
Os EUA e Irã voltaram a elevar a tensão no Oriente Médio após bombardeios realizados por forças norte-americanas contra a cidade portuária de Bandar Abbas, no sul iraniano, durante a noite de terça-feira (25). O governo iraniano classificou a ação como uma violação do cessar-fogo firmado entre os dois países em meio às negociações diplomáticas que seguem sem avanço.
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Segundo comunicado divulgado pelo porta-voz do Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos, Tim Hawkins, os ataques tiveram como alvo “locais de lançamento de mísseis e barcos que colocavam minas” na região do Estreito de Ormuz.
Bandar Abbas está localizada na área costeira do estreito, rota estratégica para o comércio internacional de petróleo e que foi fechada por Teerã após o início da ofensiva militar envolvendo Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro.
Explosões foram registradas em áreas costeiras do Irã
Até o momento, o governo iraniano não confirmou oficialmente quais instalações foram atingidas pelos bombardeios. Agências de notícias locais, como Irna e Mehr News Agency, relataram múltiplas explosões em áreas do leste de Bandar Abbas e em regiões costeiras próximas.
As autoridades iranianas afirmaram que a situação na cidade permanece “totalmente sob controle”.
Os militares norte-americanos alegaram que a operação teve caráter defensivo. De acordo com a versão apresentada pelos EUA, a ação buscou “proteger tropas contra ameaças das forças iranianas”, além de afirmar que Washington estaria “agindo com moderação durante o cessar-fogo em curso”.
Irã diz ter abatido drone MQ-9 Reaper dos EUA
Em resposta aos ataques, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) informou ter derrubado um drone MQ-9 Reaper dos Estados Unidos sobre o Golfo Pérsico. Segundo Teerã, a aeronave teria invadido o espaço aéreo iraniano.
O governo iraniano também advertiu que qualquer nova violação do cessar-fogo será respondida “com severidade”.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã divulgou nota oficial condenando o ataque norte-americano e acusando Washington de agir de má-fé durante as negociações diplomáticas mediadas pelo Paquistão.
“A prática desses atos agressivos, coincidindo com o processo de mediação diplomática em curso conduzido pelo Paquistão, revelou, mais uma vez, a má-fé e a quebra de promessas do governo dos EUA”, afirmou o comunicado iraniano.
Negociações seguem sem avanço após semanas de tensão
As negociações entre EUA e Irã seguem sem resultados concretos após quase sete semanas da trégua considerada frágil pela comunidade internacional.
Entre as principais exigências iranianas estão:
- retirada das bases militares norte-americanas do Oriente Médio;
- desbloqueio de recursos iranianos congelados no exterior;
- suspensão das sanções econômicas impostas ao país.
Já os Estados Unidos defendem:
- entrega do estoque de urânio iraniano;
- reabertura completa do Estreito de Ormuz;
- garantias relacionadas ao programa nuclear do Irã.
Teerã afirma que seu programa nuclear possui finalidade pacífica e resiste a incluir o tema nas negociações iniciais. O governo iraniano também defende uma nova forma de administração do Estreito de Ormuz após o conflito.
Analistas apontam disputa geopolítica no Oriente Médio
Especialistas consultados pela Agência Brasil avaliam que a justificativa apresentada por Estados Unidos e Israel para a guerra contra o Irã vai além das preocupações com o programa nuclear iraniano.
Segundo os analistas, o conflito também estaria relacionado à tentativa de enfraquecer a República Islâmica, ampliar a influência israelense no Oriente Médio e conter o avanço econômico da China na região.
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