A Força Aérea Brasileira deu um passo significativo na atualização de sua defesa com o recebimento do primeiro caça Gripen F, o modelo biposto desenvolvido pela empresa sueca Saab. A entrega, realizada oficialmente nesta terça-feira (2), marca um momento inédito no cenário internacional, visto que o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a incorporar a versão mais moderna de dois assentos da aeronave em sua frota. O jato faz parte do Projeto F-X2, fruto de um acordo firmado com o governo brasileiro em 2014, voltado para a modernização da defesa aérea nacional.
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O contrato estipula o fornecimento de 36 aeronaves até o ano de 2032. O cronograma de entregas teve início em 2020 e, até o momento atual, a FAB já conta com 11 unidades do modelo Gripen E, que possui apenas um assento e é direcionado para missões de combate. O planejamento total do acordo engloba a aquisição de 28 caças da variante E e 8 da versão F.
Tecnologia e divisão de trabalho no caça Gripen F
Diferente do modelo monoposto, a variante recém-entregue comporta um piloto e um copiloto. Essa configuração de cabine dupla é tradicionalmente utilizada para o treinamento avançado de tripulações. Segundo dados fornecidos pela fabricante, o modelo biposto possui 15,9 metros de comprimento e 8,6 metros de largura, apresentando dimensões ligeiramente maiores que as da série E.
A presença de dois operadores permite uma otimização tática avançada em ambientes de alta complexidade. Enquanto um dos pilotos foca no combate direto e no ciclo de tomada de decisão interno, o segundo tripulante gerencia as variáveis externas, coordenando o teatro de operações ampliado. O sistema conta ainda com o suporte de inteligência artificial para processar dados de sensores modernos, reduzindo a carga de trabalho e acelerando a preparação dos pilotos em condições reais de voo, as quais não podem ser integralmente reproduzidas em simuladores.
Cronograma de testes e logística de transporte
Antes de ser integrado de forma definitiva às operações da FAB, o novo avião militar passará por uma campanha de ensaios no centro de testes de voo da Saab, localizado na Suécia. Após a validação de todos os sistemas, a aeronave será transportada ao Brasil por via marítima, desembarcando no porto de Navegantes, em Santa Catarina.
Do terminal portuário, o jato seguirá por transporte terrestre até o aeroporto da cidade catarinense, local onde os técnicos da companhia sueca realizarão os preparativos e testes de solo necessários para a primeira decolagem em território brasileiro. A base operacional definitiva da aeronave será a Base Aérea de Anápolis, situada no estado de Goiás.
Investimentos e readequação contratual do Projeto F-X2
Para a execução do projeto, o Brasil investe anualmente uma média de 2,26 bilhões de coroas suecas, o que corresponde a cerca de R$ 1,2 bilhão. O montante total já desembolsado até o presente momento atinge a marca de 28,27 bilhões de coroas suecas, aproximadamente R$ 15,3 bilhões.
O prazo inicial para a conclusão das entregas era previsto para 2026, porém o tratado passou por renegociações que estenderam o limite para 2032. Essa extensão resultou em uma correção monetária acumulada de cerca de 32% ao longo de doze anos, o que representa um ajuste médio anual de 2,67%. A Força Aérea Brasileira ressaltou que os valores não configuram juros, mas sim correções padrão aplicadas a contratos públicos de longo prazo. O orçamento de Defesa para 2026 prevê a destinação de R$ 2,1 bilhões para a continuidade do programa.
Parceria industrial e transferência de tecnologia com a Embraer
Um dos pilares do acordo com a Saab é a transferência de tecnologia para a indústria de defesa brasileira. A Embraer desempenha papel central nesse intercâmbio, tendo apresentado o primeiro exemplar do modelo E totalmente montado em território nacional. O programa envolveu a capacitação teórica e prática de engenheiros e técnicos brasileiros na Suécia.
Das 36 unidades adquiridas, 15 passarão pelo processo de montagem final na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. A cooperação também inclui outras companhias nacionais, como a AEL Sistemas e a Atech, consolidando o Brasil como o único país habilitado a produzir o caça Gripen fora da Suécia.
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