O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (9) a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo AtlasIntel que apontava uma queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro.
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A decisão prevê a retirada do conteúdo dos canais oficiais do instituto até que sejam apresentados esclarecimentos técnicos sobre a metodologia utilizada no levantamento. A pesquisa foi divulgada em maio, período em que repercutiu o vazamento de um áudio atribuído ao senador em conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro.
TSE questiona metodologia da pesquisa
Segundo a decisão, a controvérsia não se limita a divergências metodológicas, mas envolve a alegação de que o questionário poderia ter sido utilizado para influenciar as respostas dos entrevistados.
O Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, argumentou que parte das perguntas teria sido estruturada de forma a criar uma narrativa negativa sobre o senador. De acordo com a ação, das 49 perguntas do levantamento, oito abordavam diretamente temas relacionados ao Banco Master e foram apresentadas em sequência, o que poderia impactar a percepção dos entrevistados.
Para o partido, o encadeamento das questões teria seguido uma progressão temática envolvendo:
- cenário eleitoral;
- comparação entre Lula e Flávio Bolsonaro;
- supostas fraudes financeiras;
- Banco Master;
- Daniel Vorcaro;
- conversas vazadas;
- possível envolvimento do senador;
- impacto eleitoral;
- enfraquecimento da candidatura;
- eventual retirada da disputa.
O PL também sustentou que o áudio utilizado como referência em parte do questionário não teria comprovação de autenticidade.
Na decisão, Nunes Marques afirmou que há indícios de possível utilização do questionário como mecanismo de indução dos entrevistados, o que justificaria a análise mais aprofundada do caso.
Instituto deverá apresentar documentação complementar
O presidente do TSE destacou ainda que outras 27 pesquisas registradas pelo AtlasIntel não apresentaram questionários com características semelhantes nem utilizaram recursos como a veiculação de áudio aos participantes. Diante disso, o magistrado determinou que o instituto apresente documentação técnica complementar para comprovar a regularidade da metodologia adotada, incluindo esclarecimentos sobre a utilização do áudio durante a pesquisa.
O Ministério Público Eleitoral também deverá se manifestar nos autos antes da análise definitiva da questão. A decisão individual de Nunes Marques será submetida ao referendo do plenário do TSE em sessão prevista para esta terça-feira (9).
Levantamento ouviu mais de 5 mil eleitores
A pesquisa questionada entrevistou 5.032 eleitores em todo o país entre os dias 13 e 18 de maio. Segundo o instituto, a margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%.
O levantamento indicava uma redução de cinco pontos percentuais nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro.
Relatoria de processos ligados ao caso Banco Master
Na última semana, o portal g1 informou que Kassio Nunes Marques passou a atuar como relator de representações eleitorais relacionadas a Flávio Bolsonaro e ao caso envolvendo o Banco Master no âmbito do TSE. Entre os processos sob sua responsabilidade estão ações relacionadas ao banco, ao vazamento de conversas entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro e à produção do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O primeiro processo distribuído ao gabinete do ministro nessa temática foi justamente a representação apresentada pelo PL contra o AtlasIntel. Antes de assumir esses casos, Nunes Marques publicou portaria designando a si próprio e ao vice-presidente do TSE, André Mendonça, como juízes auxiliares das eleições de 2026. A medida foi formalizada em 22 de maio.
Segundo o g1, a iniciativa divergiu do modelo tradicional adotado pela Corte, no qual a função costuma ser exercida por ministros juristas ou substitutos.
A representação contra o AtlasIntel chegou ao gabinete de Nunes Marques em 19 de maio, três dias antes da publicação da portaria. Após determinar uma nova distribuição do processo entre os juízes auxiliares, em 22 de maio, o caso voltou a ser sorteado e permaneceu sob sua relatoria em 25 de maio.
*Com informações do G1
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