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Inteligência artificial do Ifam vai prever queimadas na Amazônia com até 14 dias de antecedência

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Tecnologia utiliza inteligência artificial para identificar áreas de risco com mais de 90% de precisão e deve começar a operar em agosto

As queimadas na Amazônia ganharão um novo e tecnológico adversário a partir do próximo mês. Desenvolvido pelo Instituto Federal do Amazonas (Ifam), o sistema utiliza inteligência artificial para prever focos de incêndio com antecedência de sete a 14 dias e taxa de acerto superior a 90%. A previsão é que a tecnologia entre em operação a partir de agosto, inicialmente em Roraima e, posteriormente, no Amazonas.

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A iniciativa surge em um cenário de aumento das queimadas no bioma amazônico. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o Brasil lidera o ranking de países mais afetados por incêndios florestais na América do Sul e que, em 2024, a Amazônia registrou o maior número de focos dos últimos 17 anos. A seca extrema e a fumaça também afetaram diretamente a população de Manaus e de outras cidades da região.

O projeto, denominado IA-FogoBio, foi desenvolvido pelo pesquisador Diego Sales, do Ifam, com o objetivo de reduzir os impactos ambientais por meio da tecnologia.

Como funciona a tecnologia por trás do IA-FogoBi

O sistema reúne diferentes modelos de inteligência artificial, incluindo redes neurais LSTM, CNNs e algoritmos Random Forest. Essas tecnologias processam imagens de satélites, analisam áreas de vegetação, características do solo e cruzam informações para identificar regiões com maior probabilidade de ocorrência de incêndios.

Segundo Diego Sales, a plataforma combina focos de calor, tipos de vegetação e solo para estimar o risco de queimadas com antecedência.

“Isso permite que a IA aprenda e cruze dados de focos de calor com a vegetação, assim como o tipo de solo para estimar o perigo antecipadamente. O sistema pode atingir mais de 90% de acurácia nas previsões, garantindo uma antecedência de 7 a 14 dias para alertar sobre as áreas”, explicou o pesquisador.

Além das imagens de satélites da Nasa e do Inpe, a plataforma utiliza mapas de solo da Embrapa, informações sobre os biomas do IBGE e um histórico de queimadas registrado nos últimos 20 anos.

Após identificar áreas de risco, o sistema envia notificações aos pesquisadores, que repassam os alertas a órgãos ambientais como Ibama e ICMBio. Com essas informações, as equipes podem planejar ações preventivas antes que o fogo se espalhe.

De acordo com Diego Sales, a antecedência proporcionada pela inteligência artificial permite definir o número de brigadistas necessários, os equipamentos mais adequados e as melhores rotas para atuação em campo.

Tecnologia também identifica possíveis causas das queimadas

Além da previsão dos focos, o sistema foi desenvolvido para identificar possíveis causas dos incêndios. Estudos realizados pelo Ifam, aliados aos dados processados pela inteligência artificial, indicam que a maior parte das queimadas na Amazônia tem origem em ações humanas.

A identificação antecipada de ocorrências criminosas ou acidentais pode contribuir para ações preventivas e para a preservação do bioma.

Projeto recebeu investimento de R$ 1,9 milhão

A iniciativa é financiada pela Google.org, que destinou R$ 1,9 milhão ao projeto. O Polo de Inovação do Ifam, onde a tecnologia está sendo desenvolvida, utiliza painéis fotovoltaicos para gerar energia elétrica por meio da luz solar.

Apesar disso, especialistas ressaltam que a sustentabilidade da inteligência artificial envolve outros desafios além da matriz energética. O professor de Direito e pesquisador do Centro de Inteligência Artificial da Universidade de São Paulo (USP), Juliano Maranhão, destaca que o desenvolvimento tecnológico também deve considerar o consumo de água para resfriamento de equipamentos e os impactos ambientais relacionados ao hardware.

Sistema também vai monitorar terras indígenas

A plataforma foi estruturada em três módulos (histórico, monitoramento em tempo real e predição) e terá capacidade para acompanhar integralmente os territórios indígenas localizados no bioma amazônico.

Em parceria com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o Ifam também desenvolveu uma ferramenta capaz de emitir alertas com até seis horas de antecedência para órgãos responsáveis pela proteção dessas comunidades.

Segundo a analista em ciência e tecnologia do Censipam, Mônica Vasconcelos, a plataforma incorpora camadas específicas de unidades de conservação, terras indígenas e territórios quilombolas, permitindo identificar áreas classificadas com risco alto, médio ou baixo para ocorrência de incêndios.

A expectativa é que o sistema entre em funcionamento no início de agosto, começando pelo estado de Roraima. Em seguida, a tecnologia deverá ser expandida para o Amazonas.

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