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Sebrae e BNDES anunciam R$ 103 milhões para cooperativas da Amazônia

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Um aporte de R$ 103 milhões vai transformar a rotina de trabalho de milhares de famílias extrativistas no Norte e Nordeste do país. Destinado a impulsionar o trabalho de 50 cooperativas da Amazônia e beneficiar cerca de 12 mil pessoas, o investimento viabilizará a aquisição de maquinário, consultorias técnicas especializadas e a expansão do acesso de produtos regionais aos grandes mercados.

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A iniciativa, batizada de Coopera+ Amazônia, teve sua etapa de formalização concluída com a assinatura do projeto entre o Sebrae e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Do montante total, 97% dos recursos são originários do Fundo Amazônia, enquanto os 3% restantes cabem ao Sebrae. O foco de atuação contempla os estados do Acre, Amazonas, Maranhão, Pará e Rondônia, priorizando o fortalecimento do trabalho com açaí, cupuaçu, castanha-do-brasil e babaçu.

Execução prática do projeto nas cooperativas da Amazônia

A formalização do acordo marca a transição entre o planejamento e a entrega efetiva das soluções em campo. O anúncio ocorreu durante uma transmissão online que reuniu representantes das 24 cooperativas selecionadas para o ciclo inicial, além de equipes do BNDES e dos Sebrae estaduais do Maranhão, Pará e Rondônia.

Ana Carolina Westrup, analista de Inovação e coordenadora do Coopera+ Amazônia no Sebrae, explicou durante o evento que as ações serão direcionadas pelos diagnósticos individuais de cada instituição. A partir dos planos de melhoria construídos em conjunto com as lideranças, começam agora as contratações das consultorias e os serviços de assistência técnica rural previstos no escopo da iniciativa.

Para dar continuidade ao cronograma, uma imersão presencial no Acre está agendada para setembro. O encontro com representantes das 24 organizações do primeiro ciclo servirá para debater a governança da iniciativa, promover a troca de experiências e criar o Fórum das Cooperativas. Este espaço foi pensado para assegurar que os próprios produtores participem das decisões e dos rumos das atividades.

Impacto na renda familiar e na conservação da floresta

Quem vive do manejo extrativista enxerga na chegada dos equipamentos e na qualificação do trabalho a oportunidade de agregar valor aos produtos da sociobiodiversidade e melhorar a qualidade de vida, mantendo a floresta em pé.

No Maranhão, Maria Domingas Pinto, integrante da Cooperativa das Quebradeiras de Coco Babaçu de Itapecuru-Mirim, destaca que a perspectiva é positiva. Segundo ela, a qualificação do processo produtivo exige máquinas adequadas, e a assessoria para mapear e comprar os itens necessários chega em um momento importante.

A valorização do protagonismo local também é apontada como prioridade. Em Rondônia, o presidente e fundador da Cooperativa Suruí de Desenvolvimento e Produção Agroflorestal Sustentável, Uraan Anderson Suruí, defende que a presença indígena deve ocorrer do extrativismo até a venda final da castanha-do-brasil. Em sua visão, a preservação ganha força no momento em que a floresta assegura alimentação, renda e dignidade para as comunidades.

Integração de programas para impulsionar a bioeconomia

Apresentado originalmente em abril deste ano, junto ao Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia do governo federal, o Coopera+ Amazônia é resultado da união de duas metodologias da instituição, os programas Coop+ Produtiva e ALI Coop.

O diretor-técnico do Sebrae, Bruno Quick, ressaltou na ocasião que o diferencial do trabalho está no acompanhamento próximo das dinâmicas territoriais. A atuação articulada permite compreender as demandas específicas de cada localidade para integrar parceiros e estruturar o atendimento.

O escopo do projeto inclui capacitação de lideranças, estratégias de inteligência de mercado, apoio à comercialização e compras coletivas. O acompanhamento técnico prevê ainda o incentivo ao cooperativismo extrativista como ferramenta para consolidação da bioeconomia na Amazônia Legal.

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