InícioEleições 2026TSE busca consenso sobre inteligência artificial nas eleições de 2026

TSE busca consenso sobre inteligência artificial nas eleições de 2026

Publicado em

Publicidade

Reunião entre ministros deve discutir critérios para casos envolvendo conteúdo sintético, enquanto processo sobre vídeo exibido na convenção do PL aguarda julgamento.

O uso de inteligência artificial nas eleições de 2026 colocará o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diante de um de seus primeiros casos de grande repercussão envolvendo conteúdo político sintético. O presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, marcou para quinta-feira (13) uma reunião com os demais ministros para buscar um entendimento sobre como situações desse tipo deverão ser julgadas.

📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.

A discussão parte de um processo que aguarda análise no TSE e questiona um vídeo produzido com inteligência artificial e exibido durante a convenção nacional do PL, realizada em 25 de julho. O evento oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) à Presidência da República.

A ação foi apresentada pelo PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição. Nunes Marques é relator do processo e pretende discutir o tema com os demais integrantes da Corte antes de submetê-lo ao plenário.

A reunião será realizada a portas fechadas, após a sessão de julgamentos prevista para a manhã de quinta-feira. A busca por um entendimento comum ocorre em meio à proximidade das eleições de outubro, período em que o tribunal costuma procurar unidade interna para fortalecer seus posicionamentos jurídicos.

Inteligência artificial nas eleições entra no centro do debate

O material questionado pelo PT utiliza uma versão digital do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro. O ex-presidente está em prisão domiciliar, após ser condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado, e está impedido de fazer manifestações públicas.

Logo no início da gravação, a representação digital informa ao público que o conteúdo foi produzido artificialmente: “Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial”.

Na sequência, a imagem sintética afirma: “Estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária baseada em algo que eu nunca fiz”.

Ao final, a versão digital de Bolsonaro pede aos participantes da convenção que “recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio. Vem com fé, o Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro Presidente.”

O TSE atualizou em março as normas para o uso de inteligência artificial na campanha de 2026. Entre as regras está a obrigação de informar de maneira explícita, destacada e acessível quando uma propaganda utilizar conteúdo sintético criado ou significativamente alterado por IA ou tecnologia equivalente. A norma alcança textos, áudios, vídeos e imagens.

PT questiona vídeo e defesa rejeita classificação de deepfake

Na ação, o PT argumenta que o vídeo faz referência direta ao cargo em disputa e contém pedido explícito de voto por meio de material sintético. Para o partido, a utilização estaria em desacordo com as regras estabelecidas pelo próprio TSE para inteligência artificial e propaganda eleitoral.

A defesa da campanha de Flávio Bolsonaro contesta essa interpretação. Os advogados sustentam que o vídeo não pode ser considerado deepfake porque os participantes foram informados de que Jair Bolsonaro não estava presente e de que as imagens não correspondiam a uma transmissão ou gravação autêntica do ex-presidente.

A defesa também nega que tenha ocorrido pedido de votos na fala apresentada durante a convenção.

O julgamento pode ajudar a definir como as normas serão interpretadas durante a campanha eleitoral de 2026. As regras aprovadas pelo TSE também proíbem, entre as 72 horas anteriores e as 24 horas posteriores ao pleito, a publicação e republicação de novos conteúdos sintéticos que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidato ou pessoa pública, mesmo quando devidamente identificados como artificiais.

A propaganda eleitoral está autorizada a partir de 16 de agosto. Além das exigências específicas para conteúdos produzidos por inteligência artificial, as normas eleitorais vedam o uso de ferramentas tecnológicas para fabricar ou adulterar imagens, áudios e outras mídias destinadas à propagação de informações falsas ou gravemente descontextualizadas sobre candidaturas ou sobre o processo eleitoral.

Leia mais:
Registro de candidatura supera 13,3 mil pedidos no Brasil
Voto em trânsito pode ser solicitado até 20 de agosto para as eleições de outubro
TSE cria conselho para monitorar desinformação e IA nas eleições de 2026

Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook

spot_img

Últimas Notícias

Suframa realiza capacitação com foco na prevenção ao assédio e ética profissional

Encontro presencial aborda assédio moral e sexual, regime disciplinar da Lei 8.112/1990 e valorização...

Iranduba recebe primeiro contrato para aquicultura em águas da União no Amazonas

Unidade contemplada poderá produzir cerca de 120 toneladas de tambaqui por ano, segundo o...

Governo derruba 506 sites de apostas após proibição das bets

Força-tarefa também monitora 43 canais e grupos no Telegram que reúnem mais de 212...

Política no trabalho e os limites do assédio eleitoral

Conversas sobre candidatos e eleições fazem parte do cotidiano, mas pressão, ameaça, promessa de...

Mais como este

TRE-AM suspende pesquisa Quaest no Amazonas a uma semana da eleição

Juiz auxiliar apontou inconsistências no questionário e divergências nos bairros pesquisados; decisão é liminar...

Denúncias eleitorais no Amazonas passam de 450 a uma semana do primeiro turno

Amazonas contabilizou 458 registros de possíveis irregularidades em 22 municípios até a tarde de...

Entenda as propostas dos presidenciáveis para tecnologia no Brasil

Inteligência artificial, soberania digital, data centers, serviços públicos, conectividade e terras raras aparecem entre...