Candidato à Presidência afirmou que pretende eliminar os incentivos fiscais da ZFM e sugeriu outros setores econômicos como alternativa para os trabalhadores do Polo Industrial de Manaus.
A proposta de acabar com os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus voltou a ser defendida pelo candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão). Durante sabatina promovida pelo Estadão, ele classificou o modelo como o exemplo “mais anedótico” da política de incentivos fiscais brasileira e afirmou que sua manutenção representa uma “irracionalidade atroz”.
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As declarações atingem diretamente o principal modelo econômico do Amazonas. O Polo Industrial de Manaus reúne mais de 550 indústrias e mantém aproximadamente 131 mil empregos diretos. No primeiro semestre de 2026, as empresas instaladas no polo faturaram R$ 121,76 bilhões, conforme dados da Suframa.
Renan Santos também criticou a estrutura produtiva formada em Manaus ao longo de quase seis décadas, classificando-a como uma “bolha de uma economia artificial”.
Zona Franca de Manaus e os empregos do Polo Industrial
Ao defender a retirada dos incentivos fiscais, o candidato afirmou que os trabalhadores atualmente empregados nas fábricas poderiam ser direcionados para outros segmentos da economia.
Entre as possibilidades citadas por Renan Santos está a atuação em atividades de “logística leve”. A proposta, porém, envolve uma estrutura industrial que atualmente concentra mais de 550 empresas e aproximadamente 131 mil empregos diretos.
O candidato também apontou a possibilidade de criação de um polo petroquímico entre o Amazonas e o Amapá como alternativa econômica para a região.
Durante a sabatina, no entanto, Renan Santos não apresentou estudos, fontes de financiamento, cronograma ou estimativas de geração de empregos que indiquem como esse novo setor poderia substituir, em escala, a atual estrutura industrial da Zona Franca de Manaus.
Incentivos fiscais têm proteção constitucional até 2073
A defesa do fim da Zona Franca de Manaus também envolve limites constitucionais e legislativos. Os incentivos do modelo não funcionam como uma renúncia tributária comum que possa simplesmente ser eliminada integralmente por decisão unilateral do presidente.
O regime possui proteção constitucional até 2073, e suas vantagens foram preservadas na arquitetura da reforma tributária.
Por isso, uma mudança profunda no funcionamento da Zona Franca de Manaus dependeria de uma discussão política, legislativa e constitucional mais ampla.
A posição apresentada por Renan Santos recoloca o futuro dos incentivos fiscais da ZFM no debate eleitoral, com impacto potencial sobre a estrutura produtiva e os empregos mantidos pelo Polo Industrial de Manaus.
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