Deputada do Psol acusa dono da Havan de divulgar informações falsas e assediar trabalhadores ao criticar proposta que reduz a jornada semanal.
A deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP) anunciou que acionou o Ministério Público do Trabalho (MPT) contra o empresário Luciano Hang, dono da Havan, após declarações feitas por ele a funcionários da rede sobre o fim da escala 6×1.
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A parlamentar acusa Hang de divulgar informações falsas sobre os efeitos da redução da jornada de trabalho e de assediar empregados ao se posicionar contra a proposta em discussão no Congresso Nacional.
“Acabo de acionar o Ministério Público do Trabalho contra Luciano Hang, o Véio da Havan, por mentiras sobre o fim da escala 6×1 e assédio contra os trabalhadores das lojas Havan.”
Sâmia afirmou ainda que a iniciativa ocorre em meio à reação de setores empresariais contrários à alteração da jornada de trabalho. A deputada também chamou atenção para a possibilidade de avanço da proposta no Senado nesta semana.
“Mas isso não vai passar em branco. Luciano Hang agora precisa responder na Justiça”, escreveu.
Discurso de Hang motivou ação sobre escala 6×1
As declarações questionadas pela deputada foram feitas no sábado (29), durante a inauguração da 196ª unidade da Havan, em Caldas Novas (GO).
Diante dos funcionários, Luciano Hang criticou a proposta de mudança na jornada e defendeu que a definição sobre o trabalho deveria partir dos próprios trabalhadores, e não do Congresso Nacional.
“A liberdade do trabalho é de vocês, não é do Congresso Nacional. Eles querem ganhar o voto de vocês.”
Durante a manifestação, o empresário afirmou que o fim da atual escala poderia elevar em 15% os custos da Havan com mão de obra. Na avaliação dele, empresas menores enfrentariam impactos proporcionalmente maiores, e o aumento das despesas acabaria sendo repassado aos consumidores.
Hang também afirmou que uma eventual redução no poder de compra dos trabalhadores poderia levá-los à busca por outra atividade profissional.
“Vocês vão ter que arranjar outro emprego, um subemprego, um emprego que não é cadastrado.”
Ao encerrar o discurso, o dono da Havan classificou a proposta como um “estelionato eleitoral”.
PEC que trata do fim da escala 6×1 entra na pauta da CCJ
A controvérsia acontece às vésperas da análise da PEC 221/2019 pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A proposta é o primeiro item da pauta da reunião marcada para esta quarta-feira (2), às 9h.
O texto prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e estabelece dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial. O senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da matéria, apresentou parecer favorável e manteve o texto aprovado pela Câmara dos Deputados.
O relatório rejeita as 12 primeiras emendas apresentadas, enquanto outras propostas de alteração ainda dependem de análise. Até esta segunda-feira, 24 emendas haviam sido protocoladas.
Caso a PEC seja aprovada pela CCJ, seguirá para o plenário do Senado. Para avançar, o texto precisará receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação.
Se os senadores mantiverem integralmente a versão aprovada pela Câmara dos Deputados, a proposta poderá seguir para promulgação.
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