Após breve melhora na quinta-feira (15), capital amazonense volta a registrar índices elevados de poluição. Aulas permanecem suspensas na rede municipal e na UEA devido aos riscos à saúde.
Manaus amanheceu novamente encoberta por uma densa camada de fumaça nesta sexta-feira (16/10), após um breve alívio na poluição atmosférica registrado na quinta-feira (15). A situação voltou a preocupar moradores da capital amazonense, com indicadores de qualidade do ar atingindo níveis considerados prejudiciais à saúde.
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De acordo com os dados apresentados pela plataforma internacional IQAir, por volta das 6h, o Índice de Qualidade do Ar (AQI) chegou a 167, classificado como insalubre. O levantamento divulgado aponta Manaus novamente entre as cidades com os piores indicadores de poluição atmosférica do Brasil.
A piora também foi identificada pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Nas primeiras horas da manhã, a maior parte dos pontos monitorados apresentava qualidade do ar considerada muito ruim, enquanto três bairros registravam condições classificadas como péssimas.
O cenário ocorre em meio à intensificação das queimadas no Amazonas e em estados vizinhos, que continuam contribuindo para a concentração de partículas poluentes na atmosfera da capital.
Aleixo registra um dos piores índices de poluição
Entre os pontos monitorados pelo sistema Selva, o bairro Aleixo, na Zona Centro-Sul de Manaus, apresentou a maior concentração de material particulado informada no levantamento, com 139,6 microgramas por metro cúbico (µg/m³).
Na região do Morro da Tarumã, na Zona Oeste, o índice registrado foi de 39 µg/m³, classificado como moderado e considerado o melhor resultado entre os locais destacados.
Pela escala utilizada pelo Selva, a qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas não ultrapassa 25 µg/m³. Valores superiores indicam aumento da poluição e são classificados em diferentes níveis, que vão de moderado a péssimo.
As partículas finas presentes na fumaça das queimadas representam preocupação especial por conseguirem penetrar profundamente no sistema respiratório, agravando doenças pulmonares e cardiovasculares.
Aulas continuam suspensas em Manaus nesta sexta-feira
A manutenção das condições desfavoráveis levou a Prefeitura de Manaus a confirmar a suspensão das aulas presenciais da rede municipal de ensino nesta sexta-feira (16).
A decisão foi anunciada pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), com base no acompanhamento realizado pela Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec).
Em nota publicada na noite de quinta-feira (15), a prefeitura informou que a medida tem caráter preventivo e busca reduzir a exposição de estudantes e profissionais da educação à fumaça.
Na ocasião, o monitoramento apontava concentração média de 38 µg/m³ de partículas finas, índice considerado moderado, mas as previsões indicavam possibilidade de agravamento durante a madrugada e a manhã desta sexta-feira.
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) também anunciou a suspensão das atividades acadêmicas presenciais em suas unidades da capital e do interior, durante todos os turnos.
Na instituição, as atividades administrativas passaram a ocorrer remotamente, com exceção da Reitoria. O Comitê de Mudanças Climáticas da universidade permanece acompanhando a evolução das condições atmosféricas.
Fumaça é transportada por ventos de regiões com queimadas
A fumaça que atinge Manaus não tem origem exclusivamente em incêndios próximos à capital. Parte dos poluentes é transportada pelo vento a partir de queimadas registradas no interior do Amazonas e em estados como Rondônia, Pará e Mato Grosso.
Segundo o meteorologista Leonardo Vergasta, as partículas liberadas pela combustão da vegetação são pequenas e leves, podendo permanecer suspensas na atmosfera durante vários dias.
“A fumaça é feita de partículas muito pequenas e leves, que ficam suspensas no ar por dias e se movem junto com o vento, quase como folhas levadas por um rio invisível”, explicou.
O especialista destacou que a circulação dos ventos, associada à baixa frequência de chuvas durante o período de estiagem, favorece o acúmulo desses poluentes sobre a cidade.
Assim, mesmo regiões sem focos de incêndio nas proximidades podem registrar índices elevados de poluição atmosférica.
Amazonas registra aumento superior a 270% nos focos de incêndio
A persistência da fumaça ocorre em um cenário de crescimento expressivo das queimadas no estado.
Segundo dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), aproximadamente 1,6 mil focos de incêndio foram identificados no Amazonas entre os dias 1º e 14 de outubro.
O número representa crescimento superior a 270% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 473 registros.
O avanço dos incêndios, somado às condições climáticas desfavoráveis, dificulta a dispersão dos poluentes e mantém a população exposta à fumaça.
Ibama reforça fiscalização e combate às queimadas
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) intensificou as operações de prevenção, fiscalização e combate aos incêndios florestais no Amazonas.
O órgão notificou preventivamente 725 propriedades rurais sobre o elevado risco de propagação do fogo. As equipes também realizam inspeções para verificar o cumprimento das medidas exigidas, com aplicação de autuações em casos de irregularidades.
As operações estão concentradas especialmente em municípios como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara, considerados estratégicos para o enfrentamento das queimadas que contribuem para a poluição atmosférica em Manaus.
Segundo informações divulgadas pelo instituto na terça-feira (13), 292 incêndios haviam sido extintos no Amazonas entre junho e outubro. Na ocasião, oito focos permaneciam em combate.
A operação conta com o apoio de 11 aeronaves, incluindo aviões utilizados no combate ao fogo, helicópteros e equipamentos de suporte logístico.
População deve redobrar cuidados com a saúde
Diante da persistência da fumaça, especialistas recomendam medidas para diminuir a exposição aos poluentes, principalmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
Entre os cuidados recomendados estão evitar exercícios físicos ao ar livre, manter a hidratação, reduzir a entrada de fumaça nos ambientes internos e utilizar máscaras PFF2 quando houver necessidade de exposição.
Sintomas como falta de ar, tosse persistente, irritação nos olhos e agravamento de problemas respiratórios exigem atenção. Em situações mais graves, a orientação é procurar atendimento médico.
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