Reunião com representantes dos Poderes e de instituições estaduais busca alinhar medidas para enfrentar os efeitos dos incêndios florestais e da estiagem sobre a população amazonense
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPAM) integrou, nesta quarta-feira (14), uma articulação interinstitucional com representantes dos Poderes e de órgãos fiscalizadores para estabelecer medidas conjuntas diante do avanço das queimadas no Amazonas e da estiagem histórica. O encontro, realizado na sede do Governo estadual, buscou alinhar iniciativas de mitigação aos impactos ambientais, sociais e, prioritariamente, aos efeitos diretos na saúde pública causados pela intensa fumaça que atinge a capital e o interior.
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Entre junho e outubro de 2026, o estado registrou mais de 21 mil focos de incêndio na capital e no interior. A fumaça tem afetado a qualidade do ar, a rotina da população e a saúde dos moradores, especialmente de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Defensoria alerta para riscos à saúde causados pela fumaça
O defensor público geral do Amazonas, Rafael Barbosa, destacou que a participação da instituição busca contribuir para a construção de respostas conjuntas à crise ambiental, com atenção especial às pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
Segundo ele, a fumaça das queimadas pode agravar problemas respiratórios crônicos, como bronquite e insuficiência respiratória. Nesse contexto, a Defensoria colocou seu Núcleo de Defesa da Saúde à disposição do Governo do Estado para desenvolver ações de conscientização e orientação à população.
“A Defensoria Pública tem o compromisso de proteger as pessoas e garantir direitos. Chamamos a atenção para a necessidade de um olhar especial para a saúde da população, principalmente das pessoas que já possuem doenças respiratórias crônicas, como bronquite e insuficiência respiratória, que podem ter seus quadros agravados pela fumaça das queimadas”, afirmou Rafael Barbosa.
O defensor também ressaltou a importância de iniciativas que ajudem os moradores a compreender os riscos da exposição à fumaça e a adotar medidas de proteção durante o período crítico.
Projeto Sementes do Amazonas promove conscientização ambiental
Além da atuação institucional, a Defensoria Pública desenvolve o projeto Sementes do Amazonas, voltado à educação ambiental e social em escolas públicas e privadas e em espaços comunitários da capital e do interior.
Desde o início da iniciativa, em julho de 2026, o projeto já chegou a escolas de Manaus, Humaitá, Eirunepé e Itacoatiara.
A proposta é conscientizar crianças e adolescentes sobre os impactos das queimadas e dos incêndios florestais, muitos deles provocados pela ação humana, além de demonstrar como a degradação ambiental compromete a qualidade do ar e afeta a saúde e a expectativa de vida da população.
“Esta é uma iniciativa permanente da Defensoria, que busca conscientizar crianças e adolescentes sobre o impacto das queimadas e dos incêndios florestais, muitos deles provocados pela ação humana. Precisamos mostrar para as novas gerações que a destruição ambiental afeta a qualidade do ar, a saúde e até a expectativa de vida da população”, declarou o defensor público geral.
Rafael Barbosa acrescentou que a instituição também tem levado essas iniciativas a espaços de discussão internacional, com o objetivo de demonstrar a importância de ações permanentes de enfrentamento às mudanças climáticas.
Amazonas registra mais de 21 mil focos de incêndio
Dados do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), referentes ao período de 1º de junho a 12 de outubro, apontam 3.575 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais no estado.
No mesmo intervalo, as equipes combateram 21.766 focos de incêndio, distribuídos da seguinte forma:
- Capital: 4.532 focos de incêndio;
- Interior: 17.234 focos de incêndio.
Os números evidenciam a dimensão do trabalho de combate ao fogo em diferentes regiões do Amazonas e reforçam a necessidade de integração entre os órgãos responsáveis pela resposta à crise.
Estiagem mantém municípios em situação de alerta
Além dos incêndios, a estiagem continua preocupando as autoridades estaduais. Conforme atualização divulgada em 13 de outubro, 32 municípios estavam em situação de emergência, enquanto 15 permaneciam em alerta e outros 15 em atenção.
De acordo com os dados apresentados, nenhum município do Amazonas estava classificado em situação de normalidade.
O cenário exige medidas coordenadas para reduzir os impactos da seca e das queimadas sobre as comunidades, os serviços públicos, o meio ambiente e a saúde dos moradores.
Representantes dos Poderes participam de reunião no Governo
A reunião realizada na sede do Governo do Amazonas contou com representantes de diferentes instituições estaduais, com o objetivo de alinhar estratégias de enfrentamento aos efeitos dos incêndios florestais e da estiagem.
Além do defensor público geral, Rafael Barbosa, participaram do encontro:
- O presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), desembargador Jomar Fernandes;
- A presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), conselheira Yara Lins;
- A procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), Leda Mara;
- O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado Adjuto Afonso.
A articulação busca fortalecer a cooperação entre as instituições diante de uma crise que afeta diferentes áreas, incluindo o meio ambiente, a saúde pública e as condições de vida da população amazonense.
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