Órgão verifica cumprimento de medidas preventivas e intensifica combate a incêndios em áreas críticas próximas a Manaus e no Baixo Amazonas. Multas podem chegar a R$ 10 mil por hectare queimado
O avanço das queimadas no Amazonas levou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a intensificar a fiscalização em propriedades rurais previamente notificadas sobre o risco de propagação do fogo. Ao todo, 725 propriedades receberam alertas do órgão ambiental, e as equipes realizam vistorias para verificar se as determinações de prevenção e controle foram cumpridas.
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Segundo informações divulgadas pelo g1 Amazonas, parte dos responsáveis já foi autuada por descumprir as medidas estabelecidas. A operação integra uma força-tarefa de prevenção, contenção e repressão a incêndios florestais, com atenção especial a municípios considerados críticos, como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara.
Essas regiões estão entre as áreas que contribuem para a fumaça que alcança Manaus, agravando os problemas de qualidade do ar e os riscos à saúde da população.
Ibama aponta ação humana como principal causa dos incêndios
O presidente do Ibama, Jair Schmitt, afirmou que as condições climáticas adversas, intensificadas pela estiagem e pelo fenômeno El Niño, aumentam a vulnerabilidade da vegetação, mas não explicam, por si só, a ocorrência dos incêndios.
Segundo ele, a maioria das queimadas tem origem humana, incluindo casos em que o fogo é utilizado deliberadamente para degradar áreas de floresta e ampliar terrenos destinados à pecuária ou a outras atividades econômicas.
“A floresta está mais seca, então ela está mais suscetível a queimar. Mas o que é mais grave, a maioria desses incêndios, em absoluto, é de origem humana. Alguém colocou fogo por várias razões. E uma dessas razões é a intenção criminosa de colocar fogo na floresta para poder degradar e consolidar áreas desmatadas, em grande parte utilizadas para a pecuária ou outros fins”, afirmou Schmitt.
O dirigente defendeu o reforço das ações de fiscalização e prevenção para impedir novas ignições e reduzir a propagação das chamas.
De acordo com o órgão ambiental, o uso ilegal do fogo pode ser empregado para destruir a vegetação nativa, transformar áreas florestais em pastagens ou lavouras e consolidar o desmatamento irregular.
Multas podem chegar a R$ 10 mil por hectare queimado
O Ibama alerta que os responsáveis por incêndios florestais ilegais estão sujeitos a diferentes sanções administrativas e criminais, conforme a legislação ambiental.
Entre as penalidades previstas estão:
- Multas: valores de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare ou fração queimada, conforme o enquadramento da infração.
- Embargo de áreas: interdição das propriedades ou dos terrenos atingidos, restringindo o uso e a exploração econômica das áreas embargadas.
- Apreensão de equipamentos: retenção de máquinas, veículos e outros instrumentos utilizados na prática do crime ambiental.
- Responsabilização criminal: os envolvidos podem responder criminalmente e estar sujeitos a penas de reclusão, conforme a infração cometida.
A atuação conjunta de órgãos estaduais e federais busca identificar os responsáveis, aplicar as sanções cabíveis e evitar o surgimento de novos focos de incêndio.
Ibama informa que 292 incêndios foram extintos no Amazonas
Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira (13), o Ibama informou que 292 incêndios foram extintos no Amazonas entre junho e outubro de 2026. No momento da divulgação, as equipes ainda atuavam no combate a outros oito focos ativos no estado.
Para reforçar as operações, foram mobilizadas 11 aeronaves: seis aviões Air Tractor, um cargueiro KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), três helicópteros e um avião Caravan.
Cada aeronave desempenha uma função específica nas ações de combate ao fogo. Os aviões Air Tractor realizam lançamentos de água diretamente sobre as áreas atingidas. O KC-390 pode transportar e despejar grandes volumes de água ou líquido retardante de chamas.
Os helicópteros são utilizados no transporte de brigadistas e equipamentos, enquanto o avião Caravan presta apoio logístico às equipes que atuam em campo.
As aeronaves foram distribuídas para atender diferentes regiões, incluindo Manaus, Autazes, Itacoatiara e Parintins. O planejamento operacional também prevê uma base de apoio às operações aéreas em Itacoatiara.
Ministro identifica focos de fogo dentro de floresta preservada
A gravidade da situação também foi destacada pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. No domingo (11), uma comitiva do governo federal sobrevoou áreas atingidas pelos incêndios no Amazonas para avaliar a extensão dos danos.
Após a vistoria, o ministro afirmou que encontrou um cenário mais grave do que esperava, principalmente pela presença de focos de incêndio em áreas de floresta preservada.
“Eu diria, mais grave do que eu imaginava depois de fazer o sobrevoo, porque nós identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada. Não se trata apenas daquele fogo que foi colocado na pastagem e adentrou a floresta. Nesse caso, além do fogo que vem da pastagem, nós vimos focos no meio da floresta preservada. Inúmeros focos”, declarou Capobianco.
Segundo o ministro, a ocorrência de focos isolados em regiões de difícil acesso pode indicar ação humana intencional para degradar a vegetação e preparar áreas para futuros desmatamentos.
Diante das constatações, Capobianco pediu que o governo do Amazonas mobilize a Polícia Militar para atuar em conjunto com o Corpo de Bombeiros. A proposta é reforçar tanto o combate às chamas quanto a identificação dos responsáveis pelos incêndios.
Manaus mantém estado de atenção por causa da fumaça
A Prefeitura de Manaus decretou estado de atenção em 24 de setembro, e a classificação permanecia em vigor nesta terça-feira (13).
Segundo o Executivo municipal, o estado de atenção é adotado quando uma ou mais ocorrências afetam a cidade e existe previsão de um evento de alto impacto em curto prazo.
A fumaça proveniente dos incêndios florestais tem afetado a qualidade do ar na capital amazonense, aumentando a preocupação com os efeitos sobre a saúde dos moradores.
Além da classificação municipal, Manaus está entre os 36 municípios do Amazonas que tiveram a situação de emergência em decorrência dos incêndios florestais reconhecida pelo governo federal.
O reconhecimento foi anunciado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) no sábado (10), mesma data em que o governo estadual decretou situação de emergência.
Reconhecimento de emergência permite acesso a recursos federais
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, afirmou que o reconhecimento federal permite ampliar a atuação conjunta entre União, estado e municípios, além de viabilizar o repasse de recursos para ações de resposta à crise.
Segundo ele, as medidas não se limitam ao combate direto ao fogo, mas também incluem assistência humanitária e atendimento de saúde às pessoas afetadas.
“Uma coisa é enfrentar em todas as frentes e empregar toda a força que puder, Governo Federal junto com o Estado e municípios, para apagar o fogo. A outra é assistir pessoas que já estão, de alguma forma, precisando de ajuda humanitária, de assistência médica como resultado do incêndio”, declarou Góes.
O ministro também destacou que equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) já atuam no Amazonas para apoiar a assistência à população atingida.
As ações de fiscalização, combate aos incêndios e atendimento às comunidades integram a resposta das autoridades à crise ambiental no estado, com o objetivo de conter as chamas, responsabilizar os infratores e reduzir os impactos sobre a floresta e a população.
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