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Temporada de vazante aumenta riscos às navegações no AM

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Os rios Negro, Solimões e Amazonas iniciaram o período de vazante. Esses são dados do monitoramento do Sistema de Alerta Hidrológico da região (SAH Amazonas). A vazante é um ciclo que ocorre após período de cheia, quando as águas do rio começam a descer, entre períodos a partir de julho.

De acordo com o último boletim, publicado na última sexta-feira (28/07), o Rio Amazonas segue em processo de início de vazante, com descidas diárias consideradas normais para as estações monitoradas. Já o rio Negro, em Manaus, segue em processo de início de vazante regular, apresentando uma recessão de 26 cm ao longo da semana.

Os dados ressaltam ainda que “o rio Negro em Manaus apresenta um hidrograma estável, em que em 76% dos anos da série histórica a cota máxima ocorre no mês de junho e em 18% no mês julho. A partir daí, o rio Negro tende a iniciar seu processo de vazante até que atinja a cota mínima. O fim da vazante, por sua vez, não apresenta um período
preferencial, podendo ocorrer entre outubro e janeiro do próximo ano”.

Dados CPRM

Dados do CPRM mostram que a mínima histórica ocorreu em 2010, com 13,63m.

Problemas enfrentados pela vazante

Dentre os problemas enfrentados pela vazante está a dificuldade de navegabilidade pelos rios do estado. O Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma) afirma que com a temporada de vazantes há o aumento dos riscos de embarcações encalharem em bancos de areia, pedras e troncos de árvores.

O percurso, que em período de cheia é feito em linha reta, passa a ser realizado em “zigue-zague”, o que aumenta o tempo de viagem e exige que os cuidados sejam redobrados.

Outro problema são com os piratas do rio. Em 2022, o setor de transporte fluvial de cargas no Amazonas acumulou mais de R$ 20 milhões em perdas, com ataques. Esses dados são do Sindarma.

Com a descida dos rios, o presidente do Sindarma, Galdino Alencar Júnior, explica que os principais riscos para o transporte fluvial no Amazonas são o aumento dos ataques de piratas, a ação de garimpeiros ilegais (nos canais de navegação) e as pedras, bancos de areia e troncos, principalmente na bacia do Rio Madeira e do Solimões.

O Sindarma também irá solicitar dos órgãos públicos estaduais e federais de segurança, o aumento do efetivo e da fiscalização nos rios para evitar que balsas de garimpos ilegais se instalem (nos canais de navegação) e ameacem a segurança do transporte fluvial até com a cobrança de ‘pedágios’ para permitir a passagem dos barcos.

O maior roubo registrado ano passado, ocorreu em uma embarcação no município de Manicoré, onde 28 assaltantes roubaram um milhão de litros de óleo diesel, além de manter a tripulação refém por dois dias.

Cabe ressalta que, de acordo com a legislação aquaviária, fica proibido que grandes comboios transportadores de cargas e combustíveis naveguem a noite.

Debate com o poder público

Outro tema que será debatido pelo sindicato com o Poder Público é a falta de infraestrutura portuária adequada na capital e nos municípios do interior, que dificulta ainda mais o embarque e desembarque de produtos e passageiros.

“As cargas são levadas em embarcações menores até a sede do município, o que aumenta tempo e o custo para o consumidor final, e no caso dos passageiros é ainda pior, porque pessoas idosas e crianças tem que andar muito no leito seco para chegar no destino, uma vez que não há portos preparados para atracação dos recreios”.

Nível do Rio Negro

Confira a situação do nível do Rio Negro, nos últimos sete dias:

  • 25/07: 27,15m;
  • 26/07: 27,11m;
  • 27/07: 27,07m;
  • 28/07:27,03m;
  • 29/07: 26,96m;
  • 30/07: 26,88m;
  • 31/07: 26,80m.

Esses valores encontram-se abaixo, em relação ao mesmo período no ano passado. No dia 31/07 de 2022, por exemplo, o nível situava-se em 28,50m.

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