sábado, setembro 7, 2024
33.3 C
Manaus
InícioAmazôniaO pirarucu pode sumir da mesa dos amazonenses?

O pirarucu pode sumir da mesa dos amazonenses?

Publicado em

Publicidade

Recentemente, um dos maiores peixes de água doce do mundo, o pirarucu (Arapaima gigas), figurou como um dos alimentos que podem sumir da mesa dos amazonenses. A perda envolveria não só o desaparecimento da espécie em si, mas também de sabores tradicionais envolvendo o protagonismo do pirarucu nos pratos.

Encabeçado pelo movimento Slow Food Internacional, o projeto “Arca do Gosto” vem catalogando alimentos que enfrentam o risco de extinção cultural ou biológica. Entre eles, está o nosso gigante da água doce: o pirarucu. Conforme a própria descrição da iniciativa, o objetivo é realizar um grande inventário mundial de sabores quase esquecidos, mas ainda vivos, pelas mãos e sabedoria de poucos mestres artesãos, agricultores, produtores e cozinheiros.

A verdade é que pirarucu, peixe típico da região amazônica, enfrenta há anos uma luta pela sua existência na natureza. A espécie é um dos alvos da pesca predatória, principalmente na área da tríplice fronteira, entre Brasil, Colômbia e Peru. Sua carne saborosa, com alto valor nutricional e econômico, fez com que a espécie despertasse o interesse de pescadores ilegais, o que levou ao quase desaparecimento do peixe nos anos 1990.

Para se ter uma dimensão do tamanho do pirarucu, a espécie pode pesar mais de 200 kg e superar a marca de 3 metros de comprimento. Do animal, aproveita-se praticamente tudo: as escamas, a carne e a língua.

Regulamentação

Em meio ao risco da extinção da espécie, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) implementou uma regulamentação rigorosa em 2004, proibindo a pesca do pirarucu em alguns meses do ano e estabelecendo tamanhos mínimos para a pesca e comercialização do peixe. No Amazonas, a pesca do pirarucu é estritamente regulamentada.

Projetos e programas de proteção

O esforço para garantir a existência do pirarucu não foi só do poder público. As organizações não-governamentais implementaram grandes projetos e programas que mudaram a trajetória desse peixe amazônico.  Destaca-se nesse meio o trabalho desenvolvido pelo Instituto Mamirauá, que há 24 anos realiza ações para o manejo sustentável e participativo do pirarucu. A organização foi uma das responsáveis por garantir a sustentabilidade da pesca desta espécie, conservando o equilíbrio nos ecossistemas em que o pirarucu vive e, ao mesmo tempo, gerando renda para as populações locais. 

O trabalho gerou grandes resultados, como o aumento do estoque pesqueiro do pirarucu em 427% nas áreas manejadas da Reserva Mamirauá, além do incremento na renda dos pescadores da região.

Risco de extinção

Hoje, o pirarucu é classificado na categoria de espécies quase ameaçadas de extinção, segundo a plataforma Salve, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Essa nomenclatura é um lembrete! O pirarucu de hoje pode sumir dos pratos dos brasileiros num futuro nem tão absurdo e nem tão distante assim.

Leia mais:
Seca causou morte de peixes em igarapé em Iranduba
Pesquisa revela presença de plástico no trato gastrointestinal de peixes amazônicos
PF impede contrabando de 21 t de peixes do AM para Colômbia

Siga nosso perfil no Instagram e curta nossa página no Facebook

 

Últimas Notícias

Maria de Fátima é medalha de bronze nas Paralimpíadas 2024

A paratleta amazonense Maria de Fátima, que representou o estado nas disputas do halterofilismo...

Lavagem nasal pode diminuir efeitos do ar seco, dizem especialistas

A lavagem nasal pode ser a maior aliada da população brasileira nesse momento histórico...

Amazônia concentra 1.558 focos de incêndio

Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou 2.758 focos de incêndios, de acordo com...

Manaus terá 928 novas moradias pelo Minha Casa, Minha Vida

A capital amazonense será beneficiada com a construção de 928 novas moradias pelo programa...

Mais como este

Maria de Fátima é medalha de bronze nas Paralimpíadas 2024

A paratleta amazonense Maria de Fátima, que representou o estado nas disputas do halterofilismo...

Lavagem nasal pode diminuir efeitos do ar seco, dizem especialistas

A lavagem nasal pode ser a maior aliada da população brasileira nesse momento histórico...

Amazônia concentra 1.558 focos de incêndio

Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou 2.758 focos de incêndios, de acordo com...