InícioPoderSTF invalida tese do marco temporal por 9 votos a 2

STF invalida tese do marco temporal por 9 votos a 2

Publicado em

Publicidade

Em uma votação de 9 votos a favor e 2 contrários, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade da tese do marco temporal para a demarcação de terras indígenas. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (21) durante a 11ª sessão dedicada ao caso.

Com essa decisão, a tese, que era defendida por proprietários de terras, fica invalidada. Antes dessa decisão, os tribunais podiam determinar que os indígenas só teriam direito às terras que estavam sob sua posse em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que estivessem em disputa judicial naquela época.

Rosa Weber rejeita marco temporal

O último voto da sessão foi dado pela presidente da Corte, ministra Rosa Weber, que destacou que a Constituição garante que as terras tradicionalmente ocupadas pelos povos indígenas são habitadas em caráter permanente e fazem parte de seu patrimônio cultural, não cabendo a imposição de um marco temporal.

FOTO: Agência Brasil

A ministra declarou: “Eu rejeito a tese do marco temporal, seguindo integralmente o voto do ministro Fachin [relator], reafirmando que a jurisprudência da Corte Interamericana dos Direitos Humanos aponta para a posse tradicional como fator para reconhecer o direito dos indígenas às suas terras.”

O resultado da votação contou com os ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Luiz Fux e Gilmar Mendes a favor da decisão, enquanto Nunes Marques e André Mendonça se posicionaram a favor do marco temporal.

Pontos ainda serão debatidos

Na próxima sessão de julgamento, marcada para quarta-feira (27), os ministros discutirão outros aspectos relacionados a esse tema. Entre eles, está a possibilidade de indenização para particulares que adquiriram terras de “boa-fé”. De acordo com esse entendimento, a indenização por melhorias e pela terra nua seria aplicada a proprietários que receberam títulos de terras que deveriam ser consideradas áreas indígenas.

Brasília (DF), 30/08/2023, Manifestação de Indígenas contra o marco temporal, na Esplanada dos Ministérios.
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Esse processo teve início devido à disputa pela posse da Terra Indígena (TI) Ibirama, em Santa Catarina, que é habitada pelos povos Xokleng, Kaingang e Guarani, e cuja posse de parte da terra é contestada pela procuradoria do estado.

Com informações da Agência Brasil*

Leia mais:
Cotas da UEA serão julgadas no STF nesta quarta (20)
STF valida desapropriação de terras produtivas
STF determina que homofobia seja classificada como injúria racial

Siga nosso perfil no Instagram e curta nossa página no Facebook

spot_img

Últimas Notícias

Lula diz que indicação de embaixador dos EUA ficará para depois das eleições

Presidente afirma que governo brasileiro só concederá agrément ao indicado por Donald Trump após...

OEA enviará missão internacional para acompanhar eleições no Brasil em outubro

Observadores internacionais acompanharão primeiro e segundo turnos e terão reuniões com autoridades brasileiras durante...

Após acerto com Lula, Alcolumbre destrava fim da escala 6×1 e PEC da Segurança

Presidente do Senado determina avanço de três propostas prioritárias do governo, mas afirma que...

Renegociação de dívidas impede 827 mil pessoas de apostar em bets

Restrições também alcançam beneficiários do Bolsa Família e BPC, enquanto mais de 1,2 milhão...

Mais como este

Após acerto com Lula, Alcolumbre destrava fim da escala 6×1 e PEC da Segurança

Presidente do Senado determina avanço de três propostas prioritárias do governo, mas afirma que...

Dirigente do Missão é identificado em filiação de Flávio Bolsonaro

Autoridades localizaram nome vinculado à direção da legenda entre os dados usados no cadastro....

TSE suspende novas filiações após caso Flávio Bolsonaro

Medida interrompe temporariamente o processamento no sistema Filia após registros indevidos envolvendo o senador...