A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (5) traz o retrato mais claro até agora de quem está vencendo a disputa pelo discurso de defesa do Brasil. Perguntados sobre quem melhor representa o patriotismo e os interesses do país, 46% dos eleitores apontam Lula e 38% ficam com Flávio Bolsonaro. Num momento em que a relação com os Estados Unidos e o tarifaço dominam o noticiário, o presidente leva a melhor justamente no tema que o adversário gostaria de chamar para si.
O levantamento ainda cravou um número que explica parte dessa vantagem. Quando o eleitor é questionado sobre a reunião de Flávio com embaixadores estrangeiros para tratar das eleições brasileiras, 26% dizem que o episódio reduz a vontade de votar nele e apenas 15% dizem que aumenta. Mais da metade afirma que não muda nada. O saldo é negativo em onze pontos. A tentativa de internacionalizar a disputa cobrou um preço, e a acusação de entreguismo deixou de ser retórica para virar dado.
No primeiro turno estimulado, Lula aparece com 39% e Flávio com 30%, a distância de sempre. O que altera o humor da leitura está em outra pergunta, a que mede o medo.
Há mais de um ano a Quaest acompanha o que assusta mais o eleitor, a reeleição de Lula ou a volta dos Bolsonaro ao poder. O medo da volta da família ainda ganha, com 44% contra 41%. A novidade é o tamanho da diferença. Em agosto do ano passado eram 47% contra 39%, oito pontos de folga. Agora são três. O antibolsonarismo, que funciona como o principal combustível de Lula no segundo turno, chegou ao ponto mais apertado da série.
São dois movimentos que puxam para lados opostos. A pauta da soberania trabalha a favor do presidente e ajuda a explicar por que ele segue à frente. O medo que o protege, porém, perde intensidade a cada rodada. Se a tendência se mantiver, Lula pode terminar a campanha com a razão do voto a seu lado e a emoção do voto menos garantida do que imaginava.


