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Manejo do pirarucu no AM supera estiagem e tem saldo positivo

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Em evento promovido pelo Coletivo do Pirarucu, manejadores de diversas regiões do estado se reuniram para avaliar a atividade diante dos desafios climáticos em 2023

Representantes de 29 organizações, entre associações comunitárias, organizações não governamentais e órgãos de governo, se reuniram em Manaus (AM) para a 10ª Reunião do Coletivo do Pirarucu. O encontro teve como objetivo avaliar o manejo sustentável de pirarucu no ano de 2023, fortalecer estratégias e parcerias, além de projetar perspectivas de atuação do grupo em 2024.

Durante os três dias de evento, os 60 participantes da reunião debateram temas como os impactos da estiagem nas atividades do manejo, o andamento do processo de certificação orgânica do pirarucu, as possibilidades de acesso ao Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), regras internacionais de abate humanizado do pescado e aprimoramento da governança coletiva.

Superando os desafios da estiagem

A estiagem histórica dos rios amazônicos em 2023 tem sido especialmente desafiadora para os manejadores de pirarucu, que enfrentaram uma série de desafios para a realização da atividade. Dificuldades de acesso aos lagos de pesca e aumento dos custos foram alguns dos problemas que as comunidades tiveram que lidar. As mudanças do clima, somadas ao fenômeno do El Niño, ajudam a explicar a maior estiagem já enfrentada no Amazonas.

“Em relação aos anos anteriores, a seca do rio fez com que aumentasse muito o tempo da pesca e do transporte do pirarucu. Em 2022, fechamos a pesca em 12 dias e neste ano levamos 21 dias. Quanto mais tempo, mais custos”, explica Francisco Paumari, coordenador de manejo do povo Paumari, atividade realizada nas três Terras Indígenas localizadas ao longo do rio Tapauá.

Apesar das dificuldades impostas pela estiagem, o povo Paumari conseguiu pescar 495 pirarucus, totalizando aproximadamente 30,5 toneladas de pescado. Francisco atribui a conquista à forte união do povo Paumari e a importante parceria de iniciativas como o Raízes do Purus, projeto realizado pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) e patrocinado pela Petrobras e Governo Federal, que apoia o manejo do povo Paumari desde 2013.

“A gente tem bastante união e empenho para fazer as coisas acontecerem. Eu acho que essa atitude dá um exemplo para os outros que estão começando, que querem começar essa atividade. Na união é que nós conseguimos as coisas”, avalia o coordenador.

Leia mais:
Pesca do pirarucu é prejudicada com a estiagem
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Seca causou morte de peixes em igarapé em Iranduba

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