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Lula acusa Flávio Bolsonaro de agir com “objetivo eleitoreiro” nos EUA

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Planalto afirma que senador legitimou argumentos usados pelos Estados Unidos para justificar tarifas contra produtos brasileiros e critica menções ao caso Banco Master, ao Pix e à regulação das redes sociais.

A resposta do governo federal às declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante audiência pública nos Estados Unidos elevou o tom do embate político em torno das tarifas impostas a produtos brasileiros. Em nota divulgada nesta terça-feira (7), Lula classificou a postura do parlamentar como motivada por um “claro objetivo eleitoreiro” e afirmou que o senador deixou de contestar as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para investigar o Brasil.

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Segundo o Palácio do Planalto, Flávio foi o único brasileiro inscrito na audiência promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que não defendeu a revogação das tarifas, limitando-se a sugerir o adiamento da medida.

“O senador optou por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro”, afirma o texto divulgado pelo governo.

Lula critica atuação de Flávio na audiência

Na nota, o governo sustenta que o senador acabou legitimando os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar a investigação comercial contra o Brasil.

De acordo com o Planalto, em vez de rebater as alegações apresentadas pelas autoridades norte-americanas, Flávio Bolsonaro reforçou uma narrativa considerada prejudicial aos interesses brasileiros.

“Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”, afirma a manifestação.

O governo também declarou que o parlamentar não negou que integrantes de sua família e aliados políticos tenham contribuído para o cenário que resultou na imposição das tarifas comerciais.

Governo menciona caso Banco Master

Outro ponto destacado pelo Planalto envolve a referência feita por Flávio Bolsonaro ao caso Banco Master durante sua participação na audiência.

Segundo a nota, o senador citou o episódio sem mencionar que, na avaliação do governo, os fatos tiveram origem durante a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O texto também afirma que Flávio deixou de citar sua relação com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

“Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de R$ 130 milhões para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai”, diz a nota.

Pix e redes sociais também entram na disputa

A manifestação do governo também aborda as declarações do senador sobre o Pix e a regulação das plataformas digitais.

Segundo o Planalto, Flávio Bolsonaro teria alterado seu posicionamento em relação ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

“Ao contrário do que o senador Flávio Bolsonaro e sua família defenderam ao longo do último ano, ele agora tenta mudar o discurso e passar a imagem de que defende o Pix. Mesmo assim, propõe subordinar o Pix aos interesses norte-americanos”, afirma o documento.

Ainda de acordo com a nota, o parlamentar defendeu a revogação de normas brasileiras relacionadas ao combate à violência contra mulheres e à circulação de conteúdos criminosos nas redes sociais.

Governo diz manter negociações com os Estados Unidos

O Palácio do Planalto informou que mantém negociações com autoridades norte-americanas desde julho de 2025 para tentar reverter as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros.

Segundo o governo, enquanto Flávio Bolsonaro participava da audiência pública em Washington, representantes dos ministérios do Desenvolvimento, da Justiça, das Relações Exteriores e do próprio Palácio do Planalto estavam reunidos com técnicos do USTR em busca de uma solução para o impasse comercial.

Ao concluir a nota, o governo diferenciou o papel da oposição política da defesa dos interesses nacionais.

“Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, conclui o texto.

Leia a nota na íntegra 

Leia mais:
Flávio Bolsonaro diz que tarifas beneficiam Lula e chama momento de ‘o pior possível’
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