Contratações abrangem 13 municípios considerados prioritários e ocorrem em período de previsão de chuvas abaixo da média e aumento dos focos de calor no estado.
O Amazonas terá 153 novos brigadistas para ampliar a prevenção e o combate a incêndios florestais em 13 municípios. Os profissionais estão em processo de contratação pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), dentro do Programa Floresta em Pé, e poderão atuar por até seis meses com vínculo temporário pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
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A mobilização ocorre em um período de maior atenção às condições que favorecem queimadas. Para setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) prevê volumes de chuva abaixo da média histórica em grande parte do Amazonas, enquanto o cenário climático é marcado pela intensificação do El Niño.
Até a terceira semana de agosto, o estado havia registrado 960 focos de calor, conforme levantamento divulgado pelo Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM). O número representa aumento superior a 20% em relação aos 795 focos contabilizados no mesmo período de 2025.
Apuí, que receberá 15 dos novos brigadistas, respondeu por 325 ocorrências, aproximadamente 34% do total registrado no Amazonas.
Brigadistas reforçam combate a incêndios florestais em 13 municípios
Os profissionais serão distribuídos por Apuí (15), Autazes (12), Boca do Acre (15), Canutama (11), Humaitá (15), Lábrea (15), Manicoré (7), Novo Aripuanã (12), Tapauá (12), Borba (10), Coari (12), Manaquiri (9) e Careiro Castanho (8).
As localidades foram definidas como áreas prioritárias no Projeto Governança Ambiental e Bioeconomia Sustentável no Amazonas, executado pelo Programa Floresta em Pé. A escolha considera prioridades estabelecidas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) e as diretrizes da 5ª Fase do Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas do Amazonas (PPCDQ-AM).
O processo de contratação está atualmente na etapa de exames admissionais e análise documental. Os vínculos serão formalizados depois da conclusão desses procedimentos administrativos e trabalhistas.
Também está prevista a contratação obrigatória de uma apólice coletiva de seguro de vida e acidentes pessoais para todos os brigadistas ativos. A medida integra as diretrizes de gestão ambiental e social do projeto e busca reduzir os riscos ocupacionais relacionados às operações de combate ao fogo.
Para o gerente do Programa Floresta em Pé na FAS, Luís Piva, a ampliação das equipes permitirá melhorar a preparação dos municípios diante das condições previstas para os próximos meses.
“A contratação desses 153 brigadistas fortalece a capacidade de prevenção e resposta justamente em municípios considerados prioritários para o enfrentamento aos incêndios florestais. A presença de equipes capacitadas nos territórios contribui para identificar riscos, agir de forma preventiva e responder com mais agilidade às ocorrências, especialmente em um período que exige maior preparação”, destacou Luís Piva.
Moradores dos próprios municípios terão prioridade
Um dos critérios adotados na seleção foi priorizar brigadistas que residem nos municípios onde trabalharão. A estratégia pretende aproveitar o conhecimento local sobre o território e aumentar a capacidade de mobilização diante de incêndios e queimadas.
Selecionada para atuar em Manaquiri, Luciana Garcia destacou a possibilidade de contribuir diretamente com a população do município.
“É muito bom poder ajudar a comunidade onde eu moro. O conhecimento que recebemos na capacitação ajuda a orientar as pessoas e a prevenir situações que podem se tornar mais graves. Antes não havia brigadistas, e agora a população sabe a quem recorrer quando acontece alguma coisa”, contou Luciana Garcia.
Também selecionado em Manaquiri, Patrick Martins Vieira ressaltou a preparação necessária para prevenir incêndios e agir quando os focos são identificados.
“Para mim, ser brigadista significa estar preparado para salvar vidas. A capacitação é fundamental porque ensina como prevenir, como agir diante de um incêndio e como lidar com focos menores antes que eles se agravem. Com as brigadas, a comunidade passa a contar com pessoas preparadas para atuar da forma correta e responder mais rapidamente às ocorrências”, afirmou Patrick Martins Vieira.
A maior parte dos selecionados já recebeu capacitação conduzida pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). A última etapa de treinamento e reciclagem está prevista entre os dias 7 e 11 de setembro, em Careiro Castanho.
A formação aborda manejo integrado do fogo, prevenção e monitoramento de incêndios florestais, técnicas de combate, utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), segurança operacional, condicionamento físico e outros procedimentos necessários ao trabalho em campo.
Depois de contratados, os brigadistas poderão trabalhar no monitoramento e vigilância ambiental, prevenção, combate direto ao fogo, contenção e extinção de incêndios, orientação às comunidades, manejo integrado do fogo e apoio em situações de desastres naturais.
Programa reúne FAS, SEMA e Corpo de Bombeiros
A contratação faz parte do Projeto Governança Ambiental e Bioeconomia Sustentável no Amazonas, desenvolvido pelo Programa Floresta em Pé com recursos de doação do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), por meio de cooperação entre a SEMA e a FAS.
A Fundação Amazônia Sustentável ficará responsável pela contratação e pela gestão administrativa, financeira, trabalhista e contratual dos brigadistas. A SEMA coordena institucionalmente e acompanha os resultados, enquanto o CBMAM responde pela seleção, capacitação, planejamento e coordenação técnica e operacional das equipes.
O Programa Floresta em Pé resulta da cooperação financeira entre os governos da Alemanha e do Brasil por meio do KfW Banco de Desenvolvimento e é implementado pela FAS. A iniciativa busca contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento por meio da valorização da floresta amazônica em pé, promoção da bioeconomia, apoio ao controle do desmatamento e fortalecimento da governança ambiental.
No Amazonas, o programa atua em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente. No Pará, a parceria ocorre com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).
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