Deputado está entre os investigados em operação que apura suspeitas envolvendo recursos destinados ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) não poderá deixar o Brasil sem autorização judicial após decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A restrição alcança os 29 alvos de mandados de busca e apreensão da Operação Make Up e também impede que os investigados mantenham comunicação entre si.
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Entre os atingidos pelas medidas estão assessores ligados ao gabinete do parlamentar e a empresária Karina Gama, responsável pela produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A operação realizada nesta quinta-feira (10) está relacionada à investigação sobre a destinação de recursos públicos e o financiamento da produção cinematográfica. A Polícia Federal cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
Mario Frias e repasse de R$ 2 milhões são investigados
A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de irregularidade na destinação de R$ 2 milhões repassados por meio de emenda parlamentar de Mario Frias. O dinheiro foi destinado ao Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada à produtora de “Dark Horse”.
Uma das linhas investigadas pela Polícia Federal busca esclarecer se parte do valor destinado ao projeto deixou de ter sua utilização comprovada por nota fiscal pela produtora do filme. Essa suspeita levou Dino a autorizar a operação de busca e apreensão contra o parlamentar.
Em março, o ministro já havia determinado que Frias prestasse esclarecimentos sobre a emenda de R$ 2 milhões destinada ao Instituto Conhecer Brasil. Na ocasião, Dino solicitou informações sobre “possíveis irregularidades” na execução dos recursos.
O deputado apresentou manifestação ao Supremo em maio, quando negou irregularidades e afirmou que os recursos tiveram fim social. Frias também atua como produtor executivo do longa e foi secretário de Cultura durante o governo Bolsonaro.
PF apura atuação de agentes públicos e privados
As investigações apontam a possível existência de uma “organização criminosa formada por agentes públicos e privados”. O grupo é suspeito de direcionar valores recebidos para empresas subcontratadas irregularmente e sem comprovação da efetiva prestação dos serviços previstos.
O financiamento de “Dark Horse” aparece em dois inquéritos no STF. Um deles está sob relatoria do ministro André Mendonça. O outro, relacionado ao possível direcionamento de emendas parlamentares, é relatado por Flávio Dino.
A investigação também incorporou informações obtidas em outra operação realizada em junho pela Polícia Civil de São Paulo. A ação teve como alvo a Go UP Entertainment, produtora de “Dark Horse”, e investigou suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos.
Posteriormente, por determinação de Dino, a Polícia Civil de São Paulo compartilhou com o Supremo os dados reunidos durante aquela operação.
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