Temperatura média global chegou a 16,96 °C e ficou 1,65 °C acima dos níveis pré-industriais. Oceanos também alcançaram temperaturas recordes.
Agosto de 2026 entrou para a história climática ao igualar julho de 2023 como o mês mais quente já registrado no planeta. A temperatura média global chegou a 16,96 °C, ficando 1,65 °C acima da média estimada para o período pré-industrial de 1850 a 1900.
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A diferença para julho de 2023 foi de apenas 0,01 °C. Por ser tão pequena, o Copernicus, serviço de monitoramento climático da União Europeia, considera os dois meses empatados no topo da série histórica.
O calor excepcional não ficou restrito à atmosfera. A temperatura média da superfície do mar fora das regiões polares alcançou 21,07 °C em agosto, recorde para o mês e marca que igualou março de 2024 como a mais elevada já registrada em qualquer mês.
Mês mais quente leva planeta novamente acima de 1,5 °C
Agosto também marcou o retorno da temperatura global mensal a um patamar superior a 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais. Foi a primeira vez que esse limite foi ultrapassado desde novembro de 2025.
O resultado ocorre em um planeta que já aqueceu cerca de 1,4 °C desde a era pré-industrial devido à atividade humana, principalmente pela queima de carvão, petróleo e gás. As emissões de gases de efeito estufa, responsáveis por reter calor na atmosfera, atingiram novos patamares em 2025.
As observações diretas do Copernicus remontam a 1940. Para analisar períodos anteriores, cientistas recorrem a outros registros naturais, como núcleos de gelo, anéis de árvores e esqueletos de corais.
“Os seres humanos não vivenciam temperaturas tão altas quanto as de hoje há, possivelmente, pelo menos 100 mil anos”, afirmou Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), órgão que supervisiona o Copernicus.
O Acordo de Paris, firmado em 2015, estabeleceu o compromisso de limitar o aquecimento global de longo prazo a um nível “bem abaixo” de 2 °C acima da era pré-industrial, com esforços para contê-lo em 1,5 °C. A meta busca reduzir os riscos associados a secas, ondas de calor, inundações, elevação do nível do mar e colapsos da vida selvagem.
Europa enfrentou calor extremo e seca
A Europa Ocidental atravessou em 2026 o verão mais quente já registrado, superando o recorde anterior estabelecido em 2003. As ondas de calor observadas em agosto prolongaram uma sequência de temperaturas extremas iniciada em maio.
Reino Unido, França, Hungria, Romênia e Sérvia enfrentaram condições severas de seca. As temperaturas extremamente altas também provocaram a morte de milhares de pessoas no continente.
O impacto chegou aos grandes rios europeus. Reno e Danúbio, na Europa Central e Oriental, e o Dnipro, na Ucrânia, apresentaram níveis excepcionalmente baixos.
O calor recorde também foi observado fora da Europa. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) informou, nesta quarta-feira, que a parte continental do país enfrentou o verão mais quente já registrado. Regiões onde vivem cerca de 900 milhões de pessoas também passaram pelo mês de julho mais quente já observado.
Oceanos batem recorde com El Niño
O rápido aquecimento das águas do Oceano Pacífico, associado ao fenômeno El Niño, ocorreu simultaneamente ao aquecimento provocado pela queima de combustíveis fósseis. Em agosto, as temperaturas da superfície do mar fora das regiões polares chegaram à média recorde de 21,07 °C.
Para Samantha Burgess, os registros simultâneos na atmosfera e nos oceanos mostram a dimensão das alterações em curso.
“Combinadas com as temperaturas recordes da superfície do mar em nível global e o verão mais quente já registrado na Europa Ocidental, essas observações mostram como as mudanças climáticas estão impulsionando eventos extremos tanto na atmosfera quanto nos oceanos. Os impactos dessas condições estão sendo sentidos cada vez mais por comunidades, economias e ecossistemas em todo o mundo, pontuou, acrescentando que o clima “continuará se tornando mais extremo, a menos que fechemos a torneira das emissões globais.” observou.
Combustíveis fósseis entram no centro do alerta
Após a divulgação dos dados, a ONU voltou a relacionar o avanço do aquecimento global à dependência de combustíveis fósseis.
“As evidências são irrefutáveis. Este é o preço crescente da dependência da humanidade em combustíveis fósseis e da crise climática global que ela alimenta”, disse Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).
Gareth Redmond-King, chefe do programa internacional da Energy and Climate Intelligence Unit (ECIU), classificou o novo recorde como mais uma “sirene de alerta”, a dois meses da COP31.
“Os líderes mundiais que se reunirão antes da COP31 nas próximas semanas sabem qual é a solução: reduzir rapidamente as emissões dos gases causadores do efeito estufa rumo à neutralidade de carbono (net zero), ao mesmo tempo em que fortalecem a resiliência aos impactos que já estão consolidados.
“A tarefa agora é alinhar a escala da ação à escala indicada pela ciência, apoiando comunidades que já estão na linha de frente dos impactos climáticos e acelerando a transição para abandonar o carvão, o petróleo e o gás, a fim de restaurar o equilíbrio do nosso clima”, sublinhou Redmond-King.
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