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UEA instala maior plataforma de monitoramento de mercúrio da Região Norte e amplia pesquisas no Amazonas

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Novos equipamentos vão acelerar análises sobre contaminação no rio Madeira e fortalecer ciência produzida no estado

A plataforma de monitoramento de mercúrio da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) passa a ser a maior da Região Norte voltada à análise de contaminação por espécies de mercúrio. A nova estrutura foi instalada no laboratório da Escola Superior de Tecnologia (EST) e permitirá ampliar as pesquisas realizadas no Amazonas, além de reduzir significativamente o tempo de entrega dos resultados laboratoriais.

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O anúncio foi feito pelo coordenador do Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Estado do Amazonas (ProQAS/AM), Sergio Duvoisin Junior, durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (14), a bordo do barco-laboratório Roberto dos Santos Vieira.

De acordo com o pesquisador, os novos equipamentos serão utilizados pelo Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia (GP-QAT) e devem reforçar os estudos durante a segunda expedição científica pelo rio Madeira, prevista para começar no próximo sábado.

Pesquisa monitora contaminação por mercúrio desde 2023

Desde 2023, o projeto acompanha a presença de três espécies de mercúrio na região amazônica: mercúrio metálico, mercúrio iônico e metilmercúrio — considerado o principal foco da pesquisa devido ao seu alto potencial tóxico.

Segundo a UEA, o metilmercúrio é uma substância orgânica altamente tóxica, bioacumulativa e biomagnificável. A contaminação ocorre principalmente por meio do consumo de peixes e frutos do mar contaminados, podendo afetar o sistema nervoso central. Em gestantes, a intoxicação pode comprometer o desenvolvimento do bebê.

Inicialmente, as amostras coletadas durante as expedições pelo rio Madeira eram enviadas para a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, onde havia compartilhamento de equipamentos e conhecimento técnico entre as instituições.

Com a instalação da nova estrutura no Amazonas, as análises poderão ser feitas dentro do próprio estado, reduzindo a dependência de laboratórios de outras regiões e países.

Tempo de análise cairá de três meses para menos de um mês

Com a nova tecnologia, exames que antes levavam até três meses para serem concluídos poderão ter os resultados entregues em menos de um mês.

Apesar do avanço estrutural, a parceria entre a UEA e a Universidade Harvard será mantida. Segundo Sergio Duvoisin Junior, a colaboração entra em uma nova etapa voltada à troca de conhecimento e formação acadêmica.

“Vamos iniciar uma troca maior de ideias, trazer tecnologia para cá e também levar alunos para terem essa experiência internacional. Isso é importante para a formação da mão de obra da região”, afirmou o coordenador.

Os equipamentos ainda passarão por uma fase de testes, mas já possuem capacidade para identificar todas as espécies de mercúrio presentes nas amostras e realizar análises isotópicas para apontar a origem da contaminação.

Expedição no rio Madeira terá 54 pontos de coleta

A segunda expedição científica contará com cinco tripulantes e oito pesquisadores. O grupo percorrerá o mesmo trajeto das campanhas anteriores, passando por 54 pontos de coleta entre os municípios de Nova Olinda do Norte e Humaitá.

Ao todo, serão analisados 164 parâmetros, incluindo:

  • 24 parâmetros físicos, químicos e microbiológicos
  • 70 metais em solução
  • 70 metais em suspensão

A equipe permanecerá embarcada durante 15 dias no barco-laboratório Roberto dos Santos Vieira, que possui quatro laboratórios, dormitórios e espaços de apoio aos pesquisadores.

Pesquisadores investigam diferentes hipóteses sobre origem do mercúrio

Embora tenham o mesmo objetivo de identificar a origem do mercúrio presente no rio Madeira, os pesquisadores da UEA e da Universidade Harvard trabalham com hipóteses diferentes.

Segundo a equipe da UEA, a contaminação pode estar relacionada à ação de bactérias redutoras de sulfato encontradas no fundo do rio.

Já os pesquisadores de Harvard University investigam uma possível relação entre o mercúrio e as macrófitas, plantas aquáticas comuns em rios e áreas alagadas da Amazônia.

Para o reitor da UEA, André Zogahib, o investimento fortalece a produção científica regional e amplia a autonomia da pesquisa ambiental no estado.

Leia mais:
Estudo da UEA alerta para contaminação por mercúrio no rio Madeira
Oficina sobre mercúrio na Amazônia mobiliza especialistas e alerta para riscos à saúde
MPF bloqueia venda de mercúrio usado em garimpos ilegais na Amazônia

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