Representante comercial dos Estados Unidos encerrou as negociações e informou que encaminhou a Donald Trump sua recomendação final sobre a taxação de 25%.
O tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros avançou para a etapa final de decisão nos Estados Unidos. O chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, informou a representantes do governo brasileiro que já encaminhou ao presidente Donald Trump sua recomendação definitiva sobre a medida.
Durante a última reunião entre os dois países, realizada nesta terça-feira (14), Greer indicou que as negociações estavam encerradas. Apesar disso, sinalizou que a relação de mercadorias isentas poderá ser ampliada antes do anúncio oficial das novas tarifas.
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O representante norte-americano também reclamou de uma suposta falta de empenho do Brasil nas tratativas. A avaliação foi contestada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e pelos embaixadores Mauricio Lyrio, um dos principais negociadores do Itamaraty, e Audo Faleiro, assessor internacional da Presidência da República.
Governo contesta argumentos usados no tarifaço
As autoridades brasileiras afirmaram que os Estados Unidos não apresentaram fundamentos técnicos suficientes para sustentar a investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Entre os pontos questionados está a acusação de aumento do desmatamento no Brasil. Os representantes do governo Lula argumentaram que os dados recentes sobre a Amazônia indicam uma redução, em sentido contrário ao apresentado pelos Estados Unidos.
A delegação brasileira também mencionou a tentativa de negociar uma redução das tarifas brasileiras de importação sobre o etanol em troca de maior acesso do açúcar nacional ao mercado norte-americano. Segundo os relatos, o USTR descartou essa possibilidade durante as conversas.
Greer informou ainda que não haverá uma lista dinâmica de exceções. A declaração foi interpretada como um aviso de que a relação de produtos isentos não deverá ser ampliada gradualmente depois da entrada em vigor das novas alíquotas, como ocorreu com as tarifas aplicadas em 2025.
Mesmo assim, o chefe do USTR afirmou ter considerado os argumentos apresentados pelo governo brasileiro e por representantes do setor privado. A expectativa é que a lista inicial de exceções seja maior do que a prevista anteriormente.
Produtos industrializados podem escapar da taxação
Na reunião, os representantes brasileiros destacaram as características do comércio entre os dois países. Parte das exportações envolve subsidiárias de companhias norte-americanas instaladas no Brasil, que produzem peças e componentes destinados às matrizes localizadas nos Estados Unidos.
Esse argumento teria sido bem recebido pelo USTR e aumentou a expectativa de que mais produtos industrializados sejam retirados da relação sujeita à cobrança adicional.
Pelos cálculos atuais, o novo tarifaço atingiria cerca de 21% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, considerando o valor comercializado. O governo Lula mantém a expectativa de reduzir esse impacto por meio da ampliação das isenções.
Ao final da videoconferência, Greer demonstrou disposição para manter aberto o canal de comunicação. Antes do encerramento, os representantes brasileiros reforçaram o interesse na continuidade das conversas com a frase “Nós estamos aqui”.
Brasil avalia retaliação e novas negociações
O governo brasileiro ainda aguardava a confirmação oficial das tarifas de 25% para definir uma eventual resposta. Embora trabalhasse com a possibilidade de um resultado desfavorável, o Palácio do Planalto defendia a manutenção das negociações até a decisão final de Washington.
Em reunião com Márcio Elias Rosa e com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, na última sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou as alternativas disponíveis. A possibilidade de retaliação foi considerada o caminho mais provável caso a taxação seja confirmada.
O governo também esperava receber antecipadamente a relação das mercadorias alcançadas pela medida. A Confederação Nacional da Indústria estima que aproximadamente 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos possam ser afetados.
A lista oficial será necessária para que o país tente incluir setores estratégicos entre as exceções. A relação atual reúne 73 produtos isentos, entre eles café e carnes, que chegaram a ser alcançados pelas tarifas anunciadas no ano passado.
Novas reuniões com Jamieson Greer também permanecem entre as possibilidades. O diálogo direto com o representante comercial foi utilizado pelo governo brasileiro em rodadas anteriores de negociação sobre as tarifas impostas pela administração Trump.
Lei da Reciprocidade pode fundamentar resposta
Entre as alternativas avaliadas pelo governo está a adoção de medidas relacionadas à propriedade intelectual, uma área considerada sensível para empresas norte-americanas. Outra possibilidade é a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.
Sancionada em 2025, a legislação permite que o Brasil responda a medidas unilaterais adotadas por outros países quando elas prejudicam a competitividade internacional brasileira.
As contramedidas previstas incluem a cobrança de tarifas sobre produtos importados, a suspensão de concessões comerciais e de investimentos e a aplicação de restrições relacionadas à propriedade intelectual.
A definição da resposta dependerá do anúncio oficial dos Estados Unidos, da alíquota efetivamente aplicada e da extensão da lista de produtos brasileiros que ficarão fora do novo tarifaço.
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