Iniciativa internacional inédita busca especialistas em P&D e inovadores para transformar ciência em produtos globais e impulsionar a bioeconomia da floresta
O Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) anunciou oficialmente a abertura das inscrições para o Desafio Bioinovação Amazônia. A iniciativa internacional e inédita tem como propósito fundamental traduzir a produção científica sobre a biodiversidade amazônica em produtos de alto valor comercial e negócios de impacto global, promovendo paralelamente o desenvolvimento socioeconômico sustentável de comunidades tradicionais e produtores locais inseridos nas cadeias produtivas da região.
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O programa conta com o aporte financeiro do Bezos Earth Fund e é realizado em cooperação estratégica com a Penn State University (EUA), a Rede Terra do Meio e a Cooperativa Central dos Produtores Coloniais do Acre (COOPEACRE). A convocação é voltada a especialistas em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) com atuação no cenário mundial e a inovadores experientes na biodiversidade regional, desafiados a estruturar soluções nos segmentos de alimentação, cosméticos e novos materiais sustentáveis.
Matérias-Primas e os Eixos do Desafio Bioinovação Amazônia
O escopo técnico do certame foca na aplicação de recursos naturais nativos da floresta, como castanha-do-brasil, açaí, andiroba, copaíba, murumuru, buriti, babaçu e borracha nativa. A partir destas matérias-primas, os participantes deverão solucionar problemas divididos em seis desafios principais:
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Valorização e processamento avançado de óleos amazônicos (andiroba, copaíba e buriti);
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Desenvolvimento tecnológico de amidos funcionais derivados do babaçu;
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Aproveitamento integral e sustentável de resíduos gerados na cadeia do açaí;
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Inovação aplicada a formulações com óleos e manteigas amazônicas;
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Produção de biomateriais de alta performance a partir da borracha nativa;
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Criação de novos sistemas de sanitização para a cadeia produtiva da castanha-do-brasil.
De acordo com Paulo Simonetti, gerente de Inovação Aberta e ESG do Idesam, conectar a ciência de ponta com o conhecimento tradicional permite criar um novo modelo de desenvolvimento que agrega valor aos produtos da floresta e gera impacto global. O gestor salienta que as soluções mais relevantes nascem justamente da convergência entre tecnologia, natureza e comunidade.
Perfis profissionais elegíveis e estrutura do programa
Para otimizar o codesenvolvimento das soluções, o comitê organizador selecionará perfis complementares divididos em duas principais categorias:
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Inovadores: Profissionais com histórico de atuação ou residência na Amazônia Legal, conhecimento prático da biodiversidade regional e interesse em modelos de empreendedorismo ou licenciamento de tecnologia. Esta categoria destina-se estritamente a cidadãos brasileiros.
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Especialistas em P&D: Profissionais com trajetória internacional consolidada nas indústrias de cosméticos, alimentos ou materiais de base biológica, aptos a conduzir mentorias técnicas presenciais e remotas ao longo do calendário do programa.
A dinâmica do desafio se desdobrará em quatro etapas consecutivas: a seleção dos talentos (via internet), a formação das equipes integradas e design preliminar da solução (online), o período de imersão prática e validação laboratorial (residência híbrida na Amazônia e suporte remoto) e, por fim, a solenidade de premiação presencial.
Os profissionais selecionados para a terceira etapa passarão por uma imersão subsidiada de 15 dias na região amazônica, dividida entre instalações em Manaus e agendas em comunidades rurais rondonienses ou acrianas, dependendo do direcionamento técnico de cada desafio.
Apoio estrutural e premiações financeiras
O pacote de incentivos garantido aos dez finalistas da etapa de imersão engloba auxílio financeiro regular e infraestrutura técnica de ponta:
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Bolsas para Inovadores: Valores mensais de R$ 3.500 a R$ 7.500 durante 6 meses, baseados na titulação acadêmica;
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Grants para Especialistas em P&D: Repasses mensais de US$ 650 a US$ 1.300 durante o período de 6 meses;
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Fundo de Validação: Orçamento de R$ 100.000 por equipe para aquisição de insumos e testes laboratoriais;
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Suporte Técnico de Elite: Acesso à infraestrutura do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA);
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Logística completa de passagens e hospedagem custeadas para as atividades em Manaus, além de certificação oficial de “Residência Científica na Amazônia”.
Ao final da jornada, os três melhores projetos receberão incentivos específicos para estruturação dos negócios:
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1º Lugar: R$ 200.000,00
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2º Lugar: R$ 150.000,00
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3º Lugar: R$ 100.000,00
Os três vencedores também se tornarão parceiros da Zôma, a geradora de negócios do Idesam dedicada à nova economia florestal. As equipes contempladas receberão suporte jurídico especializado para adequação à Lei da Biodiversidade, acesso a redes de mercado e apoio estratégico contínuo para o estabelecimento formal do negócio.
Fortalecimento institucional global
O Idesam atua na Amazônia Legal desde 2004 como Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) e Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Sendo laureado como a melhor organização ambiental da Região Norte em 2020 e 2023 pelo prêmio Melhores ONGs, a instituição consolida-se como referência em mitigação climática e conservação.
A inserção da Penn State University confere ao projeto a validação metodológica necessária para a inserção das tecnologias desenvolvidas em mercados regulados internacionais, enquanto o suporte financeiro do Bezos Earth Fund assegura a viabilidade operacional de longo prazo das cadeias locais de valor.
Inscrições e mais Informações
Site oficial: https://chamadas.idesam.org/chamada/bioinovacao/
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