Uma operação de inteligência resultou no recolhimento de 2,5 toneladas de entorpecentes do tipo skank na noite de quarta-feira, dia 20 de maio, em Coari, município localizado no interior do estado. A ação policial ocorreu no Rio Solimões e foi marcada por um intenso confronto armado entre agentes de segurança e criminosos que transportavam o carregamento em uma embarcação modificada. Com esse resultado, a apreensão de drogas no Amazonas alcançou a marca histórica de 27 toneladas nos primeiros cinco meses de 2026.
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De acordo com as informações oficiais da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), os policiais tentaram interceptar uma lancha blindada artesanal no meio do rio, momento em que foram recebidos a tiros pelos suspeitos. Após o tiroteio, os ocupantes da embarcação saltaram na água e fugiram em direção a uma área de mata fechada. Nenhum policial ficou ferido na ação e buscas continuam sendo realizadas na região para localizar os envolvidos.
Detalhes do armamento e da estrutura clandestina recolhida
Na lancha abandonada, os policiais militares encontraram, além das toneladas de skank, três fuzis de alto calibre e mais de mil munições de diversos tamanhos. A embarcação utilizada no transporte chamou a atenção das autoridades por possuir blindagem artesanal e ser equipada com três motores de 250 HP, uma configuração voltada para garantir alta velocidade e resistência durante as viagens pelos rios amazônicos.
O coronel Bruno Azevedo, chefe do Estado-Maior-Geral da PMAM, explicou que o flagrante foi o ápice de um planejamento que se estendeu por meses, alimentado por dados estratégicos coletados pelos setores de inteligência da segurança pública. O oficial reiterou que a forte resistência armada demonstra o nível de preparação dos grupos que atuam na região de Coari e arredores.
Logística do narcotráfico e a rota pelo Rio Solimões
As investigações preliminares apontam que o carregamento ilícito teve como ponto de partida a região da Tríplice Fronteira, área que conecta as fronteiras do Brasil, da Colômbia e do Peru. Os criminosos utilizavam a calha do Alto Solimões como rota principal, planejando cruzar o Médio Solimões, nas proximidades de Coari, antes de descarregar o material na capital amazonense, Manaus.
A Polícia Federal, por meio do delegado Victor Mota, confirmou a instauração de um procedimento investigativo formal para identificar os financiadores e os reais proprietários da carga. Mota ressaltou que o uso de armamento pesado tem se tornado uma constante no estado, o que exige respostas integradas e análises de inteligência cada vez mais sofisticadas por parte das forças de segurança federais e estaduais.
Investimentos governamentais no combate ao crime organizado
O balanço estatístico divulgado pelo Sistema de Segurança Pública indica que, entre janeiro e o início de maio, o total de materiais ilícitos confiscados somava 24,5 toneladas, número que saltou para 27 toneladas com o recente episódio. Diante do cenário desafiador, o governador do Amazonas, Roberto Cidade, anunciou que o estado receberá o reforço de mais duas lanchas blindadas, viabilizadas por meio de um acordo de cooperação com o governo federal. O plano inclui também a ampliação do efetivo policial e o custeio de diárias para manter as equipes atuando de forma contínua no interior.
Estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que a rota do Alto Solimões sofre com a pressão de organizações como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital. A área afetada abriga cerca de 281 mil habitantes, sendo a maioria de origem indígena, e apresenta alta vulnerabilidade social, com mais de 80% dos cidadãos cadastrados no CadÚnico, fatores que as autoridades buscam neutralizar por meio do policiamento e de ações estruturadas de controle territorial.
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