A Polícia Federal decidiu reavaliar a posse da delegada Tatiana Alves Torres como oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), em Miami. A decisão ocorre em um momento de sensível crise diplomática entre Brasília e Washington, desencadeada pela recente prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem em solo americano e a subsequente expulsão de um delegado brasileiro do território norte-americano.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
A transmissão do cargo de Tatiana, que havia sido formalizada em março, está suspensa por tempo indeterminado. O impasse institucional ganhou força após o antecessor no posto, o delegado federal Marcelo Ivo Carvalho, ser convidado a deixar o país sob a acusação de atuar de forma irregular. As autoridades dos Estados Unidos alegam que o agente brasileiro interferiu indevidamente no caso de Ramagem, condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado no Brasil.
O estopim do conflito entre Brasil e Estados Unidos
O cenário de instabilidade internacional escalou quando o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos manifestou-se publicamente sobre o caso. Segundo o órgão, Marcelo Ivo Carvalho teria realizado um monitoramento que resultou na detenção do ex-deputado, o que foi interpretado como uma tentativa de contornar os processos formais de extradição e utilizar o sistema de imigração americano para fins de perseguição política.
Em nota, o governo americano afirmou que nenhum cidadão estrangeiro possui autorização para manipular seus protocolos internos ou estender disputas políticas para dentro de suas fronteiras. Marcelo Ivo, que já retornou ao Brasil, atuava em uma missão de rotatividade prevista para durar dois anos, prazo comum para esse tipo de cooperação policial internacional.
Itamaraty adota princípio de reciprocidade em resposta aos EUA
A reação brasileira não tardou a ocorrer. O Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, anunciou nesta quarta-feira a adoção do princípio de reciprocidade. Na prática, o governo brasileiro comunicou à Embaixada dos Estados Unidos a interrupção imediata das funções oficiais de um representante norte-americano que ocupa posição equivalente em território nacional.
O Ministério criticou duramente a postura de Washington, afirmando que a expulsão sumária do agente da PF ignora a longa tradição de diálogo diplomático entre as duas nações, que somam mais de dois séculos de relações bilaterais. De acordo com o governo brasileiro, a medida foi tomada sem qualquer pedido prévio de esclarecimento, ferindo o memorando de entendimento que regula a cooperação entre as forças policiais de ambos os países.
Entenda o caso envolvendo Alexandre Ramagem
A origem da atual turbulência reside na situação jurídica de Alexandre Ramagem, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O ex-parlamentar foi detido nos Estados Unidos após uma infração de trânsito, momento em que foi constatado que seu visto de permanência estava cancelado. Embora tenha sido solto dois dias depois, Ramagem solicitou asilo político ao governo americano, alegando ser alvo de perseguição no Brasil.
Na data da prisão, a Polícia Federal chegou a publicar uma nota ressaltando que a operação foi fruto de uma cooperação policial internacional bem-sucedida. Contudo, a divergência de interpretação sobre os limites dessa colaboração gerou o atual vácuo na oficialidade de ligação em Miami. Agora, a instituição aguarda uma sinalização mais clara do cenário internacional antes de efetivar a nomeação de Tatiana Alves Torres, visando evitar novos desgastes nas relações de segurança entre Brasil e Estados Unidos.
Leia mais:
Entenda por que a PF barrou agente dos EUA no Caso Ramagem com base na reciprocidade
PF retira credenciais de agente dos EUA após caso envolvendo delegado brasileiro
Lula fala em reciprocidade após expulsão de delegado brasileiro dos EUA
Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook

