O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em conjunto com o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e o apoio do BNDES, publicou oficialmente o edital para a concessão florestal da Gleba Castanho. Localizada no município de Careiro, no estado do Amazonas, a iniciativa marca um ponto de inflexão na política ambiental brasileira. Trata-se da primeira vez que uma gleba pública federal é destinada ao manejo florestal sustentável fora de uma unidade de conservação desde que a Lei de Gestão de Florestas Públicas foi sancionada, há 20 anos.
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As empresas e consórcios interessados em participar do certame devem apresentar suas propostas no dia 6 de junho de 2026. O projeto está inserido no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Governo Federal e integra o Plano Plurianual de Outorga Florestal 2024–2027, reforçando a estratégia de aliar preservação ambiental ao desenvolvimento econômico regional.
Estrutura do projeto e investimentos
O modelo de negócio foi estruturado pelo BNDES com foco no manejo de impacto reduzido. O objetivo central é permitir a exploração econômica da madeira e de produtos não madeireiros, garantindo, simultaneamente, o controle rigoroso para a regeneração natural do bioma.
Em termos financeiros, a concessão florestal na Gleba Castanho prevê um aporte significativo de recursos nos primeiros 60 meses de contrato. Estão estimados R$ 20 milhões destinados estritamente à infraestrutura e outros R$ 57 milhões para cobrir os custos de operação. Além desses valores, a concessionária terá a obrigação de investir cerca de R$ 460 mil anuais em encargos acessórios, voltados diretamente para projetos de interesse das comunidades locais.
Impacto social e desenvolvimento comunitário
Diferente de modelos de exploração predatória, esta concessão florestal estabelece contrapartidas sociais obrigatórias. Os recursos serão direcionados para:
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Apoio à pesquisa científica e tecnológica na região.
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Monitoramento e proteção constante contra o desmatamento ilegal.
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Ações de educação ambiental e regularização fundiária.
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Fortalecimento das comunidades do entorno das Unidades de Manejo Florestal (UMFs).
A aplicação desses investimentos não será impositiva. O edital determina que o destino das verbas será decidido após consultas diretas às populações locais e precisará de aprovação dos Conselhos Municipais, assegurando que o desenvolvimento chegue a quem vive na região.
Dimensões e sustentabilidade
A Gleba Castanho possui uma extensão total de 240.533 hectares, uma área comparável a 300 mil campos de futebol. No entanto, o edital de concessão florestal abrange 59.999 hectares, o que representa aproximadamente 24,9% do território total da gleba.
Essa limitação espacial visa garantir que a atividade econômica ocorra de forma ordenada, mantendo a integridade do ecossistema amazônico. A expectativa é que o modelo sirva de vitrine para futuras concessões em áreas públicas, provando que a presença do Estado e da iniciativa privada, sob regras sustentáveis, é uma ferramenta eficaz contra a degradação da floresta.
Consulte aqui o edital para a primeira concessão florestal em gleba pública
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