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Manaus amplia ecobarreiras para reduzir lixo nos rios e proteger o Rio Negro

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A expansão das ecobarreiras se tornou uma das principais estratégias da Prefeitura de Manaus para conter o avanço da poluição nos cursos d’água da capital. A meta da administração municipal é instalar mais 20 estruturas flutuantes até o fim deste ano, reforçando a proteção dos igarapés e reduzindo a quantidade de resíduos que chegam ao Rio Negro.

As ecobarreiras funcionam como uma espécie de filtro instalado sobre a água. Equipadas com redes, elas conseguem reter garrafas plásticas, embalagens, sacolas e outros materiais descartados irregularmente antes que sejam levados pela correnteza para rios de maior porte.

O objetivo é enfrentar um problema que há anos desafia a cidade. O Rio Negro, um dos principais cartões-postais da Amazônia, recebe diariamente resíduos carregados pelos igarapés urbanos, muitos deles provenientes de áreas onde ainda existem dificuldades relacionadas ao saneamento básico e à destinação adequada do lixo.

Segundo o prefeito Renato Júnior (Avante), a iniciativa também busca estimular uma mudança de comportamento da população em relação à preservação ambiental.

“A nossa geração falhou no que se refere à conscientização ambiental”, afirmou o gestor ao comentar a necessidade de ampliar ações educativas e de preservação.

Ecobarreiras já retiraram mais de 5 mil toneladas de resíduos

Desde 2023, a Prefeitura de Manaus instalou 14 ecobarreiras em diferentes pontos da cidade. De acordo com o município, as estruturas impediram que aproximadamente 5,3 mil toneladas de resíduos chegassem aos rios.

O volume recolhido equivale ao preenchimento de cerca de nove piscinas olímpicas. O material capturado inclui principalmente plásticos, embalagens e outros resíduos sólidos transportados pelos igarapés durante períodos de chuva ou descarte irregular.

Com a instalação das novas unidades previstas para este ano, a expectativa é ampliar a capacidade de retenção de lixo e fortalecer a proteção dos recursos hídricos da capital amazonense.

Saneamento continua sendo desafio na capital

Embora as ecobarreiras ajudem a reduzir os impactos imediatos da poluição, o município reconhece que o problema está ligado a questões estruturais.

Parte dos resíduos encontrados nos igarapés tem origem em áreas vulneráveis da cidade, onde historicamente houve dificuldades relacionadas à educação ambiental, à coleta adequada de resíduos e ao acesso aos serviços de saneamento.

A cobertura de coleta e tratamento de esgoto ainda está entre os principais desafios de Manaus. Em 2025, o serviço alcançou pouco mais de 35% da população. Para este ano, a expectativa é que esse índice se aproxime dos 40%.

O avanço ocorre por meio do programa Trata Bem Manaus, desenvolvido em parceria entre os governos municipal e estadual e a concessionária Águas de Manaus, pertencente ao grupo Aegea. A meta estabelecida é atingir 90% de cobertura de saneamento até 2033.

Poluição dos rios preocupa moradores

A preocupação da população com a qualidade das águas aparece também em pesquisas recentes. Levantamento realizado neste mês pelo Instituto Cidades Sustentáveis e pelo Ipsos-Ipec apontou que a poluição dos rios é atualmente a principal preocupação ambiental dos moradores de Manaus.

O resultado representa uma mudança em relação ao ano anterior, quando a qualidade do ar liderava as inquietações dos entrevistados.

Além das ações voltadas aos cursos d’água, a prefeitura afirma ter ampliado investimentos em arborização urbana. Em 2025, mais de 33 mil mudas foram plantadas na cidade. Nos quatro primeiros meses deste ano, outras 24 mil já foram incorporadas às áreas verdes da capital.

A combinação entre recuperação ambiental, ampliação do saneamento e instalação de novas ecobarreiras é vista pelo município como parte de uma estratégia para reduzir a pressão sobre os rios amazônicos e melhorar a qualidade ambiental de Manaus nos próximos anos.

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