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Projeto de monitoramento do clima na Amazônia amplia atuação em cinco lagos

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Projeto Lagos Sentinelas, do Instituto Mamirauá, instala sensores no Amazonas e Pará para combater os efeitos de secas extremas nos ecossistemas e comunidades locais

O projeto monitoramento do clima na Amazônia ampliou sua atuação e passou a acompanhar cinco novas áreas de lagos impactados por eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos. A iniciativa Lagos Sentinelas da Amazônia agora coleta dados de quatro lagos no Amazonas e um no Pará, com informações sobre temperatura e umidade do ar, oxigênio dissolvido, vento, radiação solar e volume de chuvas.

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O projeto é liderado pelo Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e busca compreender os efeitos das mudanças climáticas sobre os ecossistemas aquáticos e as comunidades que dependem desses ambientes.

De acordo com o pesquisador do Instituto Mamirauá e coordenador da iniciativa, Ayan Fleischmann, o projeto surgiu diante das alterações sem precedentes observadas nos lagos amazônicos nos últimos anos, principalmente relacionadas às secas extremas.

“Temos observado momentos sem precedentes para lagos amazônicos, com lagos secando quase inteiramente e outros superaquecendo. O Lago de Tefé, em 2023, chegou a mais de 40ºC, trazendo consequências enormes para os ecossistemas, com mortandade de peixes e outros animais aquáticos, como botos”, explicou.

Monitoramento do clima na Amazônia acompanha impactos nas comunidades

No Lago de Tefé, moradores relatam os impactos provocados pela estiagem severa. O presidente da Comunidade São Raimundo de Cima, Ediney Gonçalves Marinho, afirmou que nunca havia presenciado uma seca com a intensidade registrada recentemente.

Segundo ele, a redução extrema do nível da água afetou diretamente a vida das comunidades, com a morte de peixes e dificuldades para manter atividades como pesca, produção e deslocamento.

Desenvolvido desde 2025, o projeto reúne 69 pesquisadores e mais de 200 moradores das regiões monitoradas. A proposta é envolver as populações locais no acompanhamento das condições ambientais.

“Além dos impactos ambientais, as mudanças nos lagos também afetam centenas de comunidades ribeirinhas isoladas que dependem da pesca e das águas para sobreviver”, destacou Fleischmann.

A iniciativa é financiada pela chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº 19/2024 – Pró-Amazônia, com apoio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ao todo, reúne 15 instituições nacionais e internacionais parceiras.

Oficinas fortalecem participação comunitária no monitoramento dos lagos

Entre outubro de 2025 e março de 2026, o projeto realizou oficinas de diagnóstico participativo nos cinco lagos monitorados. Os encontros reuniram representantes de 52 comunidades ribeirinhas, quilombolas e tradicionais.

Segundo a pesquisadora e coordenadora das oficinas, Heloísa Pereira, os encontros ajudaram a aproximar as comunidades da iniciativa e permitiram identificar os principais problemas enfrentados pelos moradores.

Foram discutidos temas como mudanças climáticas, qualidade da água, saneamento, saúde, pesca, produção, educação, transporte, uso do território e organização comunitária.

Os moradores relataram desafios como secas mais intensas, dificuldades de deslocamento, redução da pesca, alterações na qualidade da água, problemas de saneamento e aumento de doenças relacionadas ao consumo ou contato com água contaminada.

A partir das oficinas, foram elaborados diagnósticos socioambientais para cada lago, reunindo demandas, propostas e possíveis soluções para orientar políticas públicas e futuras ações do projeto.

A expectativa é que os moradores passem a atuar diretamente no acompanhamento das águas junto aos pesquisadores. A participação dos chamados sentinelas comunitários deve começar em 2027.

As atividades contam com pesquisadores do Instituto Mamirauá, da Universidade Federal do Amazonas, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e da Universidade Federal do Oeste do Pará.

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