O Governo Federal anunciou um robusto pacote de investimentos superior a R$ 140 bilhões direcionado ao fortalecimento e à modernização do setor produtivo nacional. Desse montante total, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) injetará R$ 38,5 bilhões até dezembro de 2026. A medida visa consolidar as diretrizes da Nova Indústria Brasil (NIB), ampliando os recursos voltados ao desenvolvimento tecnológico, competitividade e soluções sustentáveis nas cadeias industriais.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
A iniciativa foi oficializada no Rio de Janeiro (RJ) por meio da assinatura da Carta de Compromisso Investe Mais Indústria. O plano estabelece uma governança colaborativa entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Com esses aportes, a expectativa é que a estratégia federal ultrapasse a marca de R$ 750 bilhões mobilizados desde 2023.
Divisão dos recursos e focos estratégicos da Nova Indústria Brasil
A distribuição do capital foi estruturada para atender de forma abrangente as seis missões que compõem a política industrial do país. O BNDES responderá pela maior fatia do pacote, disponibilizando R$ 102,5 bilhões. Por sua vez, as instituições vinculadas ao MCTI responderão por R$ 38,5 bilhões, integrando o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para destinar R$ 37,5 bilhões via Finep e R$ 1 bilhão por meio da Embrapii.
Os projetos contemplados estarão alinhados a setores considerados vitais para a soberania econômica e sustentabilidade nacional, abrangendo o complexo industrial da saúde, cadeias agroindustriais, transformação digital, bioeconomia, transição energética, infraestrutura e tecnologias críticas.
Para otimizar o fluxo de informações do mercado, o governo também anunciou o lançamento do Portal Investe Indústria Brasil, um ecossistema digital projetado para diagnosticar gargalos setoriais e mapear oportunidades de investimentos privados em território nacional.
Foco em inovação e novos centros tecnológicos
Durante o evento, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, defendeu o alinhamento institucional como motor para o avanço da produtividade. Segundo a ministra, os países que lideram as economias globais combinam de forma indissociável a política industrial com a de inovação, ressaltando que o futuro produtivo exige um ecossistema verde, digital e intensiva em conhecimento.
Na ocasião, a ministra anunciou a ampliação do suporte orçamentário. Em 2026, o MCTI repassará R$ 440 milhões à Embrapii, representando o maior valor anual já aportado pelo ministério na organização social desde sua criação, em 2013. A expectativa é que essa quantia reduza riscos e alavanque novos investimentos privados, viabilizando a contratação de 550 projetos inovadores de empresas, totalizando um valor de R$ 1,2 bilhão.
Com essa ampliação orçamentária, além do suporte direto aos projetos, serão instituídos três novos Centros de Competência focados em segmentos altamente estratégicos: inteligência artificial aplicada à produtividade industrial, hidrogênio de baixa emissão de carbono e minerais críticos.
Solidez financeira e cooperação institucional
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, esteve presente no ato e reforçou a necessidade de superar debates ideológicos que contrapõem a gestão pública e a iniciativa privada, afirmando que a eficiência de ambos os setores deve coexistir para o progresso do país. Na sequência, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou os indicadores da instituição, informando que o banco injetou R$ 862 bilhões em crédito na economia nos últimos três anos e meio, alcançando um ativo total histórico de R$ 1,015 trilhão.
A sinergia entre fomento intelectual e financeiro foi respaldada pelas lideranças das agências de desenvolvimento. Luiz Antonio Elias, presidente da Finep, lembrou que a autarquia já destinou mais de R$ 41 bilhões à política industrial desde o seu lançamento, atuando diretamente na mitigação dos riscos tecnológicos iniciais da pesquisa científica.
Complementando a perspectiva, Álvaro Prata, presidente da Embrapii, pontuou que o modelo desburocratizado de subvenção e cooperação técnica atua conectando de forma ágil as empresas à infraestrutura científica nacional, reduzindo custos e otimizando o tempo de resposta entre as descobertas de laboratório e a inserção da inovação no mercado consumidor.
Leia mais:
Em conversa no G7, Lula afirma: “Nunca fui um esquerdista”
Lula responde a Trump, ‘Não se meta nas eleições do Brasil’
Lula e premiê japonesa discutem acordo entre Mercosul e Japão
Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook

