Os profissionais de educação do Amazonas realizaram mais uma manifestação em frente a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nesta quarta-feira (24). Os professores, que reivindicam 25% de reajuste salarial, também ocuparam a galeria do Plenário Ruy Araújo pedindo apoio dos deputados estaduais no diálogo com o Governo do Estado.
Na terça-feira (23), o Governo afirmou que só retomará as negociações caso a categoria acabe com a greve, que completa seis dias úteis nesta quarta e acontece em 54 estados do Amazonas.
Uma comissão de trabalhadores em greve foi recebida pelos deputados Cabo Maciel (PL), presidente da Comissão de Educação da Aleam, e Felipe Souza (Patriota), líder do Governo na Casa.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam), os parlamentares disseram que irão tentar retomar a mesa de negociação com o Governo. Na quinta-feira passada (18) o secretário de Governo, Sérgio Litaiff, aventou a possibilidade de uma segunda rodada de negociação com os trabalhadores, desde que a greve fosse suspensa, o que foi rejeitado pela categoria, em assembleia.
“Estamos pedindo o cumprimento da Lei e a valorização da carreira, é só isso que precisamos. A greve é da educação como um todo, não apenas dos professores, temos merendeiros, secretários, assistentes técnicos, vigias e serviços gerais”, enfatizou a professora Ana Cristina Rodrigues, presidente do Sinteam.
Entre as reivindicações dos servidores estão:
- o reajuste de 25% no salário;
- data-base;
- auxílio alimentação e plano de saúde para as categorias profissionais;
- abono de falta aos trabalhadores da educação nos dias de Greve, o que permite que eles possam repor as aulas não realizadas junto aos estudantes; e
- a retirada da ação pública que o Governo ajuizou junto ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que proibia a paralisação dos servidores.
Apoio estadual
Os deputados João Luiz (Republicanos) e Comandante Dan (PSC) se manifestaram favoráveis ao movimento, destacando, no entanto, a importância do diálogo para que se possa avançar nas negociações. “Esta Casa está interessada e comprometida com a causa, mas sem negociação e diálogo não chegaremos em lugar nenhum”, disse o deputado Comandante Dan, pedindo tranquilidade de todos os envolvidos.
O deputado Sinésio Campos (PT) disse que o Parlamento tem o poder de legislar e abrir o diálogo em busca de soluções, porém, cabe ao Executivo decidir sobre o orçamento, e pediu a valorização dos trabalhadores da educação. “É preciso fazer a reparação no que diz respeito ao salário dos professores”, declarou Sinésio, citando que o Poder Judiciário julgou ilegal a greve, porém, para o deputado, a greve existe como último instrumento quando se deixa de ter a negociação.
Já Wilker Barreto destacou ser importante que a sociedade entenda que a greve só foi deflagrada pela falta de diálogo do governo, ao explicar que a Aleam estava contribuindo para as negociações, tanto que a proposta dos professores foi apresentada ao governo, no dia 8 de março último, por meio da Comissão de Educação da Aleam, que é presidida pelo deputado Cabo Maciel (PL).
Barreto pediu que o governo mantenha a reunião agendada para amanhã, dia 25. “Só posso fazer um apelo aos professores: resistam”, finalizou.
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