Tarifa de 50% sobre produtos brasileiros permanece em vigor após decisão de Donald Trump, que mantém estado de emergência econômica e renova críticas ao STF e ao governo brasileiro.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (28) a prorrogação do decreto que aplica a tarifa adicional de 50% sobre as importações de produtos brasileiros. Com a decisão, o governo norte-americano mantém a emergência nacional em relação ao Brasil sob amparo da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A nova sobretaxa e a renovação das medidas reforçam o peso das sanções no comércio bilateral, ampliando o impacto econômico trazido pelas tarifas dos EUA impostas desde meados do ano passado.
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De acordo com o aviso oficial publicado pela Casa Branca, a gestão norte-americana argumenta que permanecem ativas as circunstâncias que motivaram a declaração de emergência iniciada em julho de 2025. O documento afirma que o Brasil adota condutas que interferem na economia dos Estados Unidos, afetam a liberdade de expressão de cidadãos americanos e comprometem o interesse do país em proteger investimentos e nacionais.
Tarifa de 50% sobre produtos brasileiros é mantida por Washington
No documento divulgado pela Casa Branca, o governo dos Estados Unidos afirma que o Brasil continua adotando práticas que “interferem na economia dos Estados Unidos, infringem os direitos de livre expressão de cidadãos norte-americanos, violam direitos humanos e minam o interesse dos Estados Unidos em proteger seus cidadãos e empresas”.
A administração Trump também sustenta que autoridades brasileiras estariam promovendo perseguição política contra um ex-presidente (sem citar nominalmente Jair Bolsonaro), além de familiares e apoiadores, alegando que essas ações contribuem para o “desmantelamento deliberado do Estado de Direito no Brasil”.
Casa Branca volta a direcionar críticas ao STF
O comunicado americano direciona parte das críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), classificado no texto como uma “ameaça extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.
Segundo o governo norte-americano, a Corte brasileira promoveria “censura e prisão daqueles que exercem a liberdade de expressão” e praticaria “censura de conteúdo digital”, argumentos já utilizados anteriormente por integrantes da administração Trump.
Histórico das sanções comerciais entre Brasil e Estados Unidos
Os Estados Unidos instituíram a tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros em julho de 2025, também sob a alegação de que o Brasil adotava medidas prejudiciais à economia americana e de que o Judiciário brasileiro promovia perseguição contra adversários políticos. Na ocasião, ainda estava em andamento a ação penal contra Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
O governo brasileiro e o STF interpretaram a decisão como uma tentativa de interferência em assuntos internos do país. Enquanto o Executivo buscou negociar uma solução diplomática com Washington, o Supremo manteve o andamento do processo judicial.
Nos meses seguintes, as negociações entre os dois países avançaram, parte das restrições comerciais foi flexibilizada e Brasil e Estados Unidos passaram a discutir um novo acordo comercial.
Novas tarifas foram anunciadas em 2026
Em junho deste ano, o governo americano voltou a ameaçar impor novas sanções ao Brasil ao anunciar uma tarifa adicional de 25%, sob o argumento de que o país adotava práticas concorrenciais consideradas desleais.
Na última quinta-feira (23), Washington aplicou ainda uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando descumprimento de políticas relacionadas ao combate ao trabalho forçado.
Com a decisão desta quarta-feira, permanece em vigor a tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, enquanto seguem as negociações diplomáticas entre os dois governos.
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