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Debate ao Governo do Amazonas reúne propostas e acusações entre candidatos

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Candidatos discutiram exploração de terras raras, meio ambiente, segurança, saúde, habitação, educação e economia, além de trocarem acusações durante o encontro

O debate ao Governo do Amazonas promovido pela Rede Amazônica na noite desta terça-feira (29) reuniu cinco postulantes ao cargo em um encontro marcado pelo confronto direto de ideias e troca de acusações. Realizado na sede da emissora em Manaus com mediação do jornalista César Menezes, o programa colocou frente a frente Omar Aziz (PSD), Professora Maria do Carmo (PL), Roberto Cidade (União Brasil), David Almeida (Avante) e Isael Munduruku (Rede). Entre os principais eixos temáticos discutidos ao longo de quatro blocos estiveram a exploração de terras raras e minerais, medidas ambientais contra cheias e secas, infraestrutura logística, políticas de habitação e contratos do Executivo estadual.

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A dinâmica contou com rodadas intercaladas entre perguntas de tema livre e temas determinados. O formato estabeleceu 30 segundos para perguntas, 1 minuto e 30 segundos para respostas e 1 minuto e 15 segundos para réplicas e tréplicas entre os participantes.

Primeiro bloco traz debates sobre contratos públicos e interiorização

O bloco inicial abriu com Isael Munduruku questionando David Almeida sobre ações para nivelar os serviços públicos do interior aos da capital. Almeida apontou abandono nas cidades do interior e defendeu obras de pavimentação, saúde e educação. Munduruku cobrou compromissos específicos voltados às comunidades indígenas, ao passo que Almeida reforçou a necessidade de regularização fundiária, segurança jurídica e avanço no Zoneamento Ecológico-Econômico.

Na sequência, David Almeida interpelou Roberto Cidade sobre contratos de empresas ligadas a familiares com a administração estadual, afirmando ter havido repasse de R$ 16 milhões. Cidade respondeu que suspendeu os referidos contratos, criticou a atuação de Almeida na Prefeitura de Manaus e declarou que o adversário faltou com a verdade. Pela menção, Almeida obteve direito de resposta posterior para pedir foco nas propostas.

O diálogo entre Omar Aziz e Professora Maria do Carmo tratou da educação básica e da valorização dos professores. Maria do Carmo propôs a expansão das escolas de tempo integral no interior com alimentação de qualidade. Aziz destacou planos de reformar unidades, reforçar a merenda e utilizar o contraturno escolar para atividades complementares.

Ao debater meio ambiente e eventos climáticos extremos com Omar Aziz, Maria do Carmo defendeu planejamento rigoroso contra queimadas. Aziz apontou a necessidade de conciliar a preservação da floresta com obras estruturais, como a pavimentação da BR-319, e defendeu a exploração mineral sustentável de potássio para fertilizantes e a produção de biojoias.

Encerrando a primeira etapa, Roberto Cidade indagou Isael Munduruku sobre geração de renda. Cidade citou o potencial da exploração de potássio em Autazes, enquanto Munduruku defendeu a facilitação de crédito, apoio ao empreendedorismo local e a consulta prévia às comunidades tradicionais antes da instalação de grandes empreendimentos.

Bioeconomia e infraestrutura pautam segundo bloco

Abrindo o segundo bloco com temas sorteados, Professora Maria do Carmo questionou David Almeida sobre novas matrizes econômicas. O candidato defendeu o incentivo ao cultivo de milho, instalação de fábrica de ração regional e projetos fitoterápicos já testados em Manaus. Maria do Carmo destacou a bioeconomia baseada em produtos nativos como demanda urgente da população do interior.

Em seguida, Roberto Cidade e Omar Aziz abordaram transporte e logística. Aziz frisou sua atuação em favor das obras da BR-319 e o planejamento estadual a longo prazo. Cidade sustentou a busca de linhas de financiamento para asfaltamento nos municípios do interior, afirmando o papel do Executivo na execução das melhorias.

No embate sobre turismo, David Almeida perguntou a Roberto Cidade sobre estratégias para impulsionar a atividade no interior. Cidade ressaltou destinos como Novo Airão e Parintins, além do turismo de pesca esportiva. Almeida afirmou que o oponente não respondeu com clareza e elencou entregas da sua gestão na capital, ao que Cidade rebateu mencionando investimentos na saúde estadual.

Ao tratar de déficit habitacional, Omar Aziz prometeu erguer 40 mil moradias e regularizar áreas ocupadas, citando entregas de mandatos passados. Isael Munduruku destacou que as pendências de titulação de terras travam a construção popular e propôs diálogo direto com o Governo Federal para viabilizar projetos na capital e no interior.

No último confronto da rodada, Isael Munduruku questionou Professora Maria do Carmo sobre a gestão de unidades de saúde por organizações sociais e empresas terceirizadas. A candidata defendeu uma auditoria ampla nesses contratos, criticando a terceirização excessiva. Munduruku também sustentou que a remuneração deve contemplar os servidores diretamente, sem intermediações danosas.

Segurança pública e confrontos diretos elevam tom no terceiro bloco

O terceiro bloco registrou os momentos de maior tensão entre os participantes. Abrindo as falas de tema livre, Omar Aziz questionou Isael Munduruku sobre gastos penitenciários e segurança. Munduruku defendeu educação, esporte e qualificação para afastar jovens da criminalidade. Aziz anunciou a proposta de concurso para 10 mil agentes de guardas civis no interior, ampliação dos quadros das polícias Civil e Militar e reabertura de delegacias 24 horas.

Em seguida, Isael Munduruku abordou políticas para pessoas com autismo com Roberto Cidade. O candidato citou a implantação de um Centro de Inclusão em Manaus e o envio de equipes multiprofissionais em barcos-hospitais até comunidades ribeirinhas. Munduruku cobrou atenção contínua para evitar deslocamentos desgastantes até a capital.

O confronto seguinte envolveu Roberto Cidade e Professora Maria do Carmo. A candidata declarou haver uma crise de violência doméstica no Amazonas e mencionou um processo anterior envolvendo uma suposta agressão ligada a Cidade. O candidato obteve direito de resposta, declarou ter sido formalmente absolvido pela Justiça, chamou a adversária de mentirosa e reiterou planos para ampliação de efetivos policiais. Maria do Carmo insistiu na criação de casas de acolhimento e novas delegacias da mulher.

Na sequência, Maria do Carmo perguntou a David Almeida a respeito de uma viagem oficial ao Caribe. Almeida respondeu que os custos foram quitados com recursos pessoais e que o procedimento de apuração foi arquivado, contrapondo a candidata sobre pendências de tributos com o município de Manaus. Maria do Carmo afirmou realizar o pagamento parcelado de suas obrigações fiscais.

Fechando o bloco, David Almeida questionou Omar Aziz sobre ações contra a fila do Sistema de Regulação (SisReg). Aziz garantiu que trabalhará para zerar a fila de espera do sistema de saúde, criar hospitais veterinários públicos e coibir o avanço descontrolado das apostas online sobre o orçamento das famílias de baixa renda.

Saúde e eventos climáticos encerram rodadas de perguntas

No quarto bloco, David Almeida perguntou a Roberto Cidade sobre emprego para a juventude. Cidade rebateu publicações de Almeida nas redes sociais sobre fornecedores do Estado, mencionou incentivos do Polo Industrial de Manaus e previu a entrega de 27 unidades de saúde. Almeida criticou a postura do adversário e declarou prioridade em qualificação profissional.

Ao abordar eventos climáticos, Omar Aziz e Isael Munduruku discutiram a intensificação de secas e cheias. Munduruku sugeriu a criação de um gabinete permanente de crise climática, o fortalecimento de brigadas contra queimadas e obras estruturantes nos leitos de igarapés para mitigar alagamentos. Aziz destacou a complexidade de previsões meteorológicas e reforçou a defesa da conservação florestal.

Na área da educação, Professora Maria do Carmo e Omar Aziz reiteraram a necessidade de valorização salarial, aperfeiçoamento de indicadores educacionais do estado e expansão do turno integral com reforço escolar no contraturno.

Ao debaterem cultura e economia criativa, Isael Munduruku cobrou apoio aos festivais folclóricos tradicionais de cada município do interior. Professora Maria do Carmo defendeu a restauração do patrimônio histórico, citando o Teatro Amazonas, e a criação de circuitos culturais integrados.

Finalizando as perguntas, Roberto Cidade questionou David Almeida sobre o funcionamento do SisReg. Cidade argumentou que o sistema opera em gestão compartilhada e anunciou a meta de construir novos hospitais e uma unidade universitária ligada à Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Almeida apontou deficiências na rede estadual de saúde e indicou que o município precisará erguer hospital próprio caso o quadro não mude.

Considerações finais dos candidatos

Nas considerações finais, cada participante dispôs de tempo para seu apelo final aos eleitores:

  • Omar Aziz: Agradeceu pela campanha, destacou a execução de grandes obras públicas durante suas gestões passadas, como a Arena da Amazônia e conjuntos habitacionais, e defendeu que o momento exige foco na assistência direta às famílias, apoio a dependentes químicos e recriação da pasta voltada a pessoas com deficiência.

  • David Almeida: Ressaltou sua origem na periferia da capital, enumerou ações da sua administração como prefeito nas áreas de transporte coletivo, creches, escolas de tempo integral e passe livre, e pediu oportunidade para expandir esse modelo aos municípios do interior.

  • Isael Munduruku: Declarou representar a única alternativa real de mudança frente aos demais candidatos com histórico de gestão. Afirmou manter vínculo direto com as demandas populares do interior e pediu o voto no número 18.

  • Professora Maria do Carmo: Afirmou ser a candidata representativa da direita apoiada pela família Bolsonaro. Destacou coragem diante dos ataques sofridos na campanha e reforçou o compromisso com melhorias sociais, pedindo o voto no número 22.

  • Roberto Cidade: Enfatizou sua identidade amazonense, citou pagamentos a profissionais da saúde e avanços estruturais recentes, e pediu apoio ao número 44 para dar sequência ao plano de expansão econômica e obras públicas.

*Com informações: Rede Amazônica

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