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Queda de patente da semaglutida no Brasil não garante redução imediata nos preços

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O mercado farmacêutico brasileiro se prepara para um marco importante neste mês de março. A patente da semaglutida, o princípio ativo que compõe medicamentos de alta demanda como o Ozempic, expira oficialmente no dia 20. No entanto, ao contrário do que muitos consumidores esperavam, a chegada de versões mais acessíveis às farmácias pode enfrentar um cronograma mais lento do que o previsto. Barreiras regulatórias, complexidade na produção industrial e estratégias comerciais das grandes farmacêuticas indicam que o “Ozempic brasileiro” deve demorar a chegar às prateleiras e, quando chegar, pode não apresentar a redução de preço agressiva que costuma acompanhar os medicamentos genéricos tradicionais.

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Entraves regulatórios e o papel da Anvisa no lançamento da semaglutida

Um dos principais fatores que impedem a chegada imediata de novos concorrentes é o processo de licenciamento. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda está em fase de avaliação de 14 pedidos para a produção nacional da substância. Devido à complexidade do fármaco, a agência estabeleceu um fluxo de aprovação gradual, com um teto de três autorizações por semestre. Esse ritmo sugere que o processo completo de regulação de todos os interessados pode se estender até 2028.

A EMS, líder do setor no país, estima que seus produtos só chegarão ao consumidor final pelo menos 90 dias após a obtenção do registro sanitário. Considerando os trâmites atuais, especialistas do setor financeiro, como analistas do Itaú BBA, projetam que os primeiros lançamentos nacionais ocorram apenas no segundo semestre de 2026, possivelmente por volta de agosto. Diferente de medicamentos mais simples, que podem ser disponibilizados em pouco mais de um mês após a quebra da patente, a versão injetável exige uma logística de insumos e distribuição muito mais rigorosa.

Por que o preço do medicamento similar terá desconto limitado

A expectativa de economia do consumidor esbarra em uma classificação técnica fundamental. As novas versões brasileiras que estão em processo de aprovação são, em sua maioria, registradas como medicamentos similares e não como genéricos. Enquanto a lei brasileira exige que o genérico tenha um desconto mínimo de 35% em relação ao produto de referência, os similares possuem maior liberdade comercial, com uma obrigatoriedade de desconto inicial situada em torno de 20%.

Na prática, isso significa que, se o preço de tabela do medicamento original for de aproximadamente R$ 1.299, os novos concorrentes poderiam entrar no mercado custando cerca de R$ 1.039. Embora a concorrência possa forçar valores menores a longo prazo, analistas preveem que a redução real não deve ultrapassar a marca de 30% nos primeiros anos. Somente após meia década de competição estabelecida é que os preços poderiam sofrer uma retração de até 50%.

Desafios de fabricação e a resposta da Novo Nordisk

Produzir canetas emagrecedoras não é uma tarefa simples ou barata. Diferente de comprimidos e cápsulas, os medicamentos injetáveis exigem plantas fabris com esterilidade absoluta e monitoramento microbiológico constante. A construção e manutenção dessas unidades envolvem investimentos bilionários. A EMS, por exemplo, investiu R$ 1,2 bilhão em sua planta em Hortolândia para viabilizar essa tecnologia.

Ao mesmo tempo, a Novo Nordisk, detentora da marca original, não pretende ceder espaço facilmente no Brasil, que é seu oitavo maior mercado global. A empresa dinamarquesa está investindo R$ 6,4 bilhões em uma fábrica em Minas Gerais para nacionalizar a produção, que hoje é importada. Além disso, a companhia avalia levar a disputa de patentes ao Supremo Tribunal Federal (STF), tentando reverter decisões anteriores para estender seu período de exclusividade, embora especialistas considerem essa vitória improvável devido ao impacto sistêmico que causaria na legislação nacional.

A nova dinâmica competitiva com Mounjaro e tirzepatida

A queda da patente da semaglutida ocorre em um momento em que a indústria farmacêutica já apresenta novas gerações de tratamentos. O mercado tem demonstrado alta volatilidade com o surgimento da tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro), que apresenta resultados de perda de peso superiores aos da geração anterior. Em apenas um mês, o faturamento da tirzepatida chegou a superar o de todos os produtos baseados em semaglutida somados.

A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, representa a nova geração de tratamentos com eficácia superior à semaglutida e já lidera o faturamento do setor.

Essa evolução tecnológica cria uma pressão adicional sobre os laboratórios nacionais. Enquanto tentam viabilizar a produção de similares da geração atual, a indústria internacional já testa substâncias como a retatrutida, que promete eficácia ainda maior. Além disso, as versões em comprimido, como o Rybelsus, ganham espaço por serem mais simples de fabricar e transportar, oferecendo uma alternativa de menor custo para os pacientes que não necessitam das dosagens mais elevadas das injeções.

O impacto da comercialização ilegal e o futuro do mercado

Um problema crescente que preocupa tanto autoridades quanto fabricantes é o avanço do mercado ilegal. Estima-se que milhões de doses de substâncias manipuladas ou contrabandeadas circulem no país sem o devido controle sanitário. Laboratórios alertam que a importação de insumos para manipulação em larga escala desvirtua a finalidade permitida por lei, criando riscos à saúde pública e uma concorrência desleal com os produtos registrados na Anvisa.

Apesar desses desafios, as projeções para o setor são de crescimento robusto. Estima-se que o faturamento do mercado de canetas emagrecedoras no Brasil possa atingir R$ 24,6 bilhões ainda este ano, dobrando esse valor até o final da década. O interesse é impulsionado não apenas pelo tratamento da obesidade e diabetes, mas também pela alta demanda por procedimentos estéticos e novas aplicações cardiológicas que estão sendo validadas pela ciência.

Leia mais:
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