Pesquisa com participação do Inpe demonstra que a política de conservação aliada à transferência de renda evitou a emissão de 8,3 milhões de toneladas de CO₂.
Uma nova análise científica trouxe dados robustos sobre a eficácia do Programa Bolsa Verde no combate à degradação ambiental. Segundo estudo publicado na revista Journal of Environmental Economics and Management, com a colaboração do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as áreas da Amazônia atendidas pela iniciativa registraram uma queda de aproximadamente 30% no desmatamento entre 2012 e 2015.
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A pesquisa utilizou modelagem econométrica avançada para comparar 317 áreas beneficiadas com regiões de características semelhantes que não participavam do programa. Os resultados indicam que o Bolsa Verde evitou a perda de 22,6 mil hectares de floresta nativa, consolidando-se como uma ferramenta estratégica para o cumprimento das metas climáticas brasileiras.
O impacto financeiro e ambiental do Bolsa Verde
Além da preservação direta da vegetação, o estudo destacou o alto custo-benefício da iniciativa. As emissões de gases de efeito estufa evitadas no período foram avaliadas em US$ 199 milhões. Esse valor é quase três vezes superior ao custo total da primeira fase do programa, evidenciando que investir na conservação comunitária é economicamente mais vantajoso que muitas soluções do mercado de carbono.
O custo para evitar a emissão de cada tonelada de CO₂ foi estimado em US$ 8,60, um índice consideravelmente baixo se comparado a outras métricas globais de mitigação. Ao todo, estima-se que 8,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono deixaram de ser lançadas na atmosfera graças à manutenção da floresta em pé.
Como funciona o programa e quem são os beneficiários
Gerido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Programa Bolsa Verde une a proteção dos ecossistemas à justiça social. Ele foca em famílias em situação de vulnerabilidade que habitam Unidades de Conservação de uso sustentável, assentamentos da reforma agrária e territórios de comunidades tradicionais.
Para receber o benefício trimestral de R$ 600, os moradores devem cumprir critérios rigorosos:
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Manter uma cobertura mínima de 80% de vegetação nativa na propriedade.
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Comprometer-se com práticas de manejo sustentável.
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Participar de ações de assistência técnica e extensão rural (Ater).
Atualmente, o programa conta com 150 mil famílias cadastradas e abrange mais de 30 milhões de hectares preservados em todo o país. Nos últimos dois anos, o Governo Federal investiu R$ 280 milhões na iniciativa, sendo a maior parte destinada diretamente ao pagamento dos benefícios.
Rumo ao desmatamento zero até 2030
A retomada do Bolsa Verde em 2023 é um pilar central na estratégia do Brasil para zerar o desmatamento até o fim desta década. Dados recentes do sistema Prodes, do Inpe, já mostram uma tendência positiva: a taxa de desmatamento na Amazônia caiu 11,08% entre agosto de 2024 e julho de 2025, atingindo o menor patamar em 11 anos.
Representantes do MMA reiteram que o sucesso da política reside no reconhecimento dos povos da floresta como guardiões naturais do bioma. Ao garantir segurança financeira para quem vive do manejo sustentável, o Estado fortalece a barreira humana contra o avanço do desmatamento ilegal, especialmente na região crítica do Arco do Desmatamento.
Confira a íntegra do artigo aqui.
Saiba mais sobre o Bolsa Verde aqui.
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