Ação da Polícia Federal e ICMBio ocorreu em área protegida no Amazonas e mirou logística do garimpo ilegal
A Operação Yuruparí, voltada ao combate ao garimpo ilegal na Amazônia, foi concluída nesta quarta-feira (15) com a apreensão e inutilização de mais de 30 estruturas utilizadas na exploração clandestina de recursos naturais. A ação ocorreu na Estação Ecológica Juami-Japurá, localizada no município de Japurá, no interior do Amazonas.
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Deflagrada no último dia 5 de abril, a operação foi conduzida pela Polícia Federal em conjunto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). As equipes atuaram em uma área de difícil acesso, utilizando logística fluvial e suporte especializado para alcançar os pontos de atividade ilegal.
De acordo com o balanço divulgado nesta quinta-feira (16), foram apreendidos e destruídos 18 dragas, 12 rebocadores e 6 balsas. Esses equipamentos são considerados essenciais para a operação do garimpo ilegal, especialmente na extração de ouro em leitos de rios da região amazônica.
Segundo a Polícia Federal, toda a ação seguiu critérios estabelecidos em normativos ambientais, que autorizam a inutilização de equipamentos utilizados em crimes ambientais dentro de unidades de conservação. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre prisões ou detalhes adicionais sobre a dinâmica das apreensões.
Garimpo ilegal na Amazônia e avanço do crime organizado
A operação ocorre em meio a um cenário de crescente preocupação com a atuação de facções criminosas no garimpo ilegal na Amazônia. Um estudo intitulado Cartografias da Violência na Amazônia 2025, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que organizações como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) passaram a explorar crimes ambientais como fonte estratégica de financiamento.
De acordo com o levantamento, pelo menos três municípios do Amazonas — Humaitá, Lábrea e Manicoré — já registram a presença dessas facções com atuação voltada para atividades ilegais ligadas ao meio ambiente.
Especialistas indicam que o garimpo ilegal tem sido utilizado não apenas como fonte de renda, mas também como esconderijo para criminosos foragidos e como parte de uma rede logística compartilhada com o narcotráfico. Nesse modelo, classificado como “sistema híbrido”, diferentes atividades ilícitas, como tráfico de drogas, extração de ouro, exploração de madeira e comércio ilegal de armas, utilizam as mesmas rotas e estruturas.
Ouro ilegal como moeda no narcotráfico internacional
Investigações apontam ainda que o ouro extraído ilegalmente tem sido utilizado como moeda de troca por facções criminosas. Segundo informações apuradas, o mineral é empregado na compra de pasta-base de cocaína em países vizinhos, como Peru e Colômbia.
Esse cenário reforça a conexão entre crimes ambientais e o tráfico internacional de drogas, ampliando o impacto das atividades ilegais na região amazônica. O garimpo ilegal, nesse contexto, deixa de ser apenas uma questão ambiental e passa a integrar uma cadeia mais ampla de criminalidade organizada.
Impactos ambientais e desafios de fiscalização
A destruição das estruturas na Estação Ecológica Juami-Japurá representa uma tentativa de conter os danos ambientais causados pelo garimpo ilegal, que incluem contaminação de rios, desmatamento e degradação da biodiversidade.
Apesar das operações de fiscalização, autoridades enfrentam desafios logísticos e estruturais para combater esse tipo de crime em áreas remotas da Amazônia. A vasta extensão territorial, aliada à complexidade das redes criminosas, exige ações integradas e contínuas entre órgãos ambientais e de segurança pública.
A Operação Yuruparí se insere nesse esforço mais amplo de repressão às atividades ilegais e de proteção das unidades de conservação na região.
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