A Justiça da Itália proferiu, nesta quinta-feira (16), uma nova decisão favorável ao pedido de extradição feito pelo governo brasileiro contra a ex-deputada federal Carla Zambelli. Este novo entendimento refere-se ao processo em que a ex-parlamentar foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao episódio de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, ocorrido em 2022. A confirmação da sentença internacional foi detalhada pelo embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca de Souza, consolidando mais um passo jurídico no processo de retorno da ex-deputada ao país de origem.
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Embora o parecer judicial represente um avanço significativo para as autoridades brasileiras, a decisão ainda não é definitiva. De acordo com os ritos processuais da Itália, a defesa de Zambelli possui o direito de interpor recursos contra a medida. A ex-deputada encontra-se detida em território italiano desde o dia 29 de julho de 2025, permanecendo em uma unidade prisional nas proximidades de Roma sob regimes de segurança média e alta.
O caso do porte ilegal de arma e a condenação no STF
O pedido de extradição acolhido nesta semana fundamenta-se nos eventos registrados na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Na ocasião, Carla Zambelli foi filmada perseguindo um homem pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, empunhando uma pistola após uma discussão por motivações políticas. O caso gerou ampla repercussão e resultou em uma ação penal no STF.
A Corte brasileira condenou a ex-parlamentar a uma pena de 5 anos e 3 meses de reclusão. Os magistrados entenderam que houve a prática de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com o emprego de armamento. Como Zambelli deixou o Brasil em maio de 2024, passando pelos Estados Unidos e Argentina antes de chegar à Europa, ela passou a ser considerada foragida da justiça brasileira, o que motivou a formalização do pedido internacional de captura e envio ao Brasil pelo ministro Alexandre de Moraes.
Histórico de pedidos de extradição e invasão de sistemas
Esta não é a primeira vez que o Judiciário da Itália se manifesta sobre o envio da ex-deputada ao Brasil. Em março deste ano, a justiça local já havia autorizado a transferência de Zambelli em virtude de outro processo distinto. Trata-se da condenação relacionada à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), caso no qual a ex-parlamentar recebeu uma sentença de 10 anos de prisão.
As investigações deste segundo episódio apontaram que Zambelli teria colaborado com o hacker Walter Delgatti Neto. O objetivo da ação era inserir dados falsos nos sistemas judiciais brasileiros, incluindo um mandado de prisão fictício contra o ministro Alexandre de Moraes. No dia 10 de abril, a defesa da ex-deputada protocolou um recurso para tentar reverter a decisão específica desse processo, o qual aguarda análise pelas autoridades competentes.
Próximos passos e o Tratado de Extradição entre Brasil e Itália
A viabilidade jurídica para o retorno de Zambelli ao Brasil está amparada em um tratado bilateral de reciprocidade em vigor desde 1993. O documento estabelece a obrigação mútua entre as nações de entregar indivíduos procurados para julgamento ou cumprimento de pena. No entanto, o processo possui etapas jurídicas e políticas bem definidas.
Mesmo com as autorizações judiciais, a palavra final sobre a extradição de Carla Zambelli caberá ao Poder Executivo italiano. Após o esgotamento de todos os recursos no sistema judiciário, o Ministério da Justiça da Itália avaliará os elementos do caso para determinar se a entrega será efetivada. A manutenção da prisão preventiva em Roma baseia-se na compreensão das autoridades europeias de que há um risco real de fuga, uma vez que Zambelli possui cidadania italiana e já evadiu-se do Brasil anteriormente.
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