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Câmara aprova projeto que restringe atuação de fiscais ambientais em ações do Ibama e ICMBio

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Proposta limita medidas imediatas contra desmatamento ilegal e garimpo clandestino

A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2.564/25, que altera regras da fiscalização ambiental e restringe a atuação de órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade em operações contra desmatamento ilegal e garimpo clandestino. O texto segue agora para análise do Senado Federal.

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De autoria dos deputados Lucio Mosquini e Zé Adriano, a proposta foi aprovada na forma de substitutivo apresentado pela deputada Marussa Boldrin. A votação gerou debate entre parlamentares ligados à bancada ruralista e deputados alinhados à pauta ambiental.

Fiscalização ambiental: o que muda com o projeto aprovado

Atualmente, o Ibama e o ICMBio possuem autorização legal para aplicar medidas cautelares imediatas com o objetivo de interromper danos ambientais em andamento. Entre elas estão embargos de áreas e a inutilização de equipamentos utilizados em infrações ambientais.

Com o novo texto aprovado pela Câmara, a destruição ou inutilização de máquinas, tratores e escavadeiras utilizadas em crimes ambientais ficará proibida antes da conclusão do processo administrativo.

Na prática, a medida afeta principalmente operações realizadas em áreas de difícil acesso, onde a destruição do maquinário é utilizada quando não há condições seguras ou viáveis para remoção dos equipamentos empregados em atividades ilegais.

O projeto também altera regras relacionadas ao uso de imagens de satélite na fiscalização ambiental. Embora mantenha a utilização da tecnologia para identificação de infrações, o texto estabelece que embargos e outras medidas cautelares dependam de notificação prévia do responsável pela área autuada.

Com isso, mesmo em casos de desmatamento em áreas protegidas, a interrupção imediata da atividade poderá depender da abertura de prazo para apresentação de defesa.

Autores defendem segurança jurídica e direito à ampla defesa

Os parlamentares que apoiam o projeto afirmam que as mudanças buscam garantir segurança jurídica e assegurar o direito constitucional à ampla defesa dos autuados.

Segundo o deputado Lucio Mosquini, o avanço de sistemas automatizados e do monitoramento por satélite teria ampliado a aplicação de embargos sem análise individual adequada.

“Não podemos, a custo do uso dos satélites, afrontar o direito de defesa do cidadão. Esse é um princípio elementar da democracia”, declarou o parlamentar.

A relatora Marussa Boldrin afirmou que o objetivo do texto é buscar equilíbrio entre fiscalização ambiental e segurança jurídica para produtores rurais.

Uso de tecnologia ampliou operações ambientais nos últimos anos

Nos últimos anos, operações do Ibama passaram a utilizar com maior intensidade imagens de satélite, inteligência artificial e sistemas de alerta em tempo real para monitorar áreas de desmatamento ilegal.

O modelo permitiu acelerar embargos ambientais e reduzir a necessidade de fiscalização presencial em regiões remotas da Amazônia e de outras áreas de difícil acesso.

A destruição de maquinário também se tornou uma prática recorrente em operações contra garimpo ilegal e desmatamento, especialmente em terras indígenas e unidades de conservação ambiental.

Críticos apontam risco de redução da efetividade das operações

Parlamentares e setores ligados à pauta ambiental criticaram a proposta aprovada pela Câmara. Para os opositores do texto, as novas exigências podem reduzir a efetividade das ações de fiscalização e aumentar o tempo de resposta do poder público diante de crimes ambientais.

A avaliação é de que a necessidade de notificação prévia e a limitação de medidas cautelares imediatas podem dificultar o combate ao desmatamento ilegal e ao garimpo clandestino em áreas protegidas.

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