Iniciativa lançada em Manaus prevê investimento de R$ 209 milhões e atuação integrada em áreas estratégicas da Amazônia Legal e da faixa de fronteira
O programa Brasil Contra o Crime Organizado ganhou um novo braço voltado à região amazônica. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) lançou, nesta segunda-feira (18), em Manaus, o Programa Território Seguro, Amazônia Soberana: Proteção da Amazônia e da Faixa de Fronteira, iniciativa que pretende reforçar o combate ao crime organizado, ao narcotráfico, ao garimpo ilegal e aos crimes ambientais em estados da Amazônia Legal.
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Coordenado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), o programa foi instituído pela Portaria nº 1.220/2026 e contará com investimento de R$ 209 milhões. O lançamento ocorreu durante o evento “Brasil Contra o Crime Organizado: Amazônia”, realizado no Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI), em Manaus.
Segundo o governo federal, a proposta será integrada ao Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Amas), política criada em 2023 para ampliar ações de segurança pública e proteção ambiental na região amazônica.
Programa atuará em 42 municípios de seis estados
Nesta primeira fase, o programa terá atuação em sete regiões prioritárias, abrangendo 42 municípios dos estados do Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Mato Grosso e Paraná.
A estratégia prevê ações integradas entre forças de segurança e órgãos federais para enfrentar estruturas ligadas ao tráfico de drogas, crimes ambientais, violência armada e ocupações ilegais em áreas consideradas vulneráveis.
Durante a abertura do evento, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, afirmou que o avanço das facções criminosas exige atuação conjunta entre estados e governo federal.
“Enquanto os estados agiam separados, as facções atuavam em rede. O que torna este momento diferente é que, pela primeira vez, o Estado inteiro vai atuar junto, com um plano conjunto e atuação simultânea”, declarou.
Eixos do programa incluem inteligência, repressão e desenvolvimento sustentável
O Programa Território Seguro, Amazônia Soberana será desenvolvido com base em quatro eixos principais:
- Diagnóstico territorial, com produção de dados, monitoramento e inteligência;
- Repressão qualificada, integrando forças de segurança no combate às estruturas financeiras e logísticas do crime;
- Prevenção e acesso a direitos, com ações sociais e fortalecimento da presença do Estado;
- Promoção de alternativas econômicas sustentáveis, voltadas à geração de renda e inclusão produtiva.
A secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, Marta Machado, destacou que a proposta busca integrar segurança pública, proteção ambiental e desenvolvimento econômico.
Segundo ela, políticas fragmentadas dificultaram, ao longo dos anos, uma resposta mais efetiva aos problemas da região amazônica.
Segurança pública aposta em tecnologia e integração
O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, afirmou que o enfrentamento ao crime organizado dependerá do compartilhamento de informações e do uso de tecnologia, especialmente diante do avanço das facções sobre estruturas portuárias da região.
Já o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ressaltou a importância de enfraquecer financeiramente as organizações criminosas.
De acordo com ele, operações da Polícia Federal retiraram cerca de R$ 10 bilhões do crime organizado apenas no último ano.
Também participaram do evento o secretário-executivo do MJSP, Ademar Borges; o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena; e o diretor-executivo da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Alberto Raposo Neto.
Plano Amas tem foco na BR-319 e combate a crimes ambientais
Durante o encontro, o MJSP também apresentou um balanço das ações do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Amas).
Entre as metas previstas para 2026 estão o controle estratégico da BR-319, o combate ao garimpo ilegal, à grilagem e às queimadas, além da integração dos planos operacionais dos estados da Amazônia Legal.
O governo federal também discutiu a ampliação do financiamento das ações do plano, incluindo parceria com o BNDES e o Fundo Amazônia.
Índice sobre vulnerabilidade indígena ao crime organizado é lançado
O evento em Manaus marcou ainda o lançamento do Índice de Vulnerabilidade ao Crime Organizado: Territórios Indígenas (IVCO-TI), desenvolvido pelo Centro de Estudos sobre Drogas e Desenvolvimento Social Comunitário (Cdesc).
O projeto foi criado em parceria entre a Senad, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), com o objetivo de mapear riscos e vulnerabilidades em territórios indígenas
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