O Tribunal Superior Eleitoral deu início a uma nova etapa na fiscalização do processo democrático brasileiro. O presidente da Corte, ministro Nunes Marques, comandou a primeira reunião com os presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais após assumir o cargo. No encontro, realizado na última segunda-feira, ficou definida a criação de uma comissão permanente voltada para regulamentar e fiscalizar o uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais de outubro.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
O grupo de trabalho terá o papel de formular soluções tecnológicas e normativas para os desafios impostos pelas novas ferramentas digitais. A intenção é que as diretrizes sirvam como um escudo para preservar a integridade do voto e a legitimidade do pleito que se aproxima.
Catálogo nacional e parcerias com universidades
A comissão permanente terá um prazo de 90 dias para concluir o desenvolvimento de um catálogo nacional de soluções. Esse documento servirá de guia para unificar as ações da Justiça Eleitoral diante de possíveis ilícitos digitais. Para garantir o suporte técnico necessário, o tribunal estabelecerá convênios com instituições de ensino superior especializadas em perícias tecnológicas.
Paralelamente às ações do grupo, os tribunais regionais ganharam tarefas específicas. Cada tribunal estadual deverá estruturar, no período de 30 dias, uma unidade própria dedicada exclusivamente à segurança da informação. A medida visa descentralizar a proteção dos sistemas e agilizar as respostas locais a eventuais ameaças virtuais.
Diálogo com partidos e regras para inteligência artificial
O plano de ação idealizado pelo ministro Nunes Marques também prevê uma aproximação com as legendas partidárias. O presidente do tribunal conduzirá reuniões com os representantes dos partidos políticos para reforçar a obrigatoriedade do cumprimento das normas vigentes e desestimular práticas abusivas no ambiente virtual.
A preocupação com o impacto dos algoritmos não é recente. Em março deste ano, a Corte Eleitoral já havia aprovado severas restrições para o emprego de tecnologias automatizadas no período de propaganda. Entre as normas estabelecidas, destaca-se a proibição de que provedores de tecnologia ofereçam sugestões de candidatos aos eleitores, mesmo quando explicitamente consultados. O veto busca resguardar a capacidade de escolha do cidadão, impedindo que mecanismos automatizados interfiram de maneira direta na decisão do voto nas eleições presidenciais.
Leia mais:
Como a candidatura de Joaquim Barbosa movimenta os bastidores eleitorais
Polícia Federal lança estratégia para a segurança das eleições presidenciais de 2026
Arrecadação para campanhas eleitorais de 2026 supera R$ 500 mil em apenas três dias
Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook

